Archive for junho \19\UTC 2009

O primeiro grande teste

Nos últimos anos, o discurso da sustentabilidade foi repetido por milhares de empresas no mundo. A crise está colocando a “onda verde” à prova – e só as iniciativas mais consistentes devem sobreviver
 
Por Ana Luiza Herzog | 28.05.2009 | 00h01
esp_sustent

Revista EXAME – A Shell voltou a fazer parte de novo do ranking das empresas mais sujas e mais retrógradas do mundo… Depois de anos proclamando seu compromisso com a energia limpa.” Esta declaração foi feita por John Sauven, diretor executivo da operação inglesa do Greenpeace, a respeito da decisão anunciada em março pela petrolífera anglo-holandesa de abandonar seus investimentos em energias renováveis, como a eólica e a solar. Pressionada pelo impacto da queda do preço do barril de petróleo – desde julho de 2008 até agora o preço caiu quase 60% -, a Shell foi uma das primeiras a anunciar mudanças. A guinada foi justificada, sem nenhum constrangimento, por Linda Cook, principal executiva de gás e energia da companhia: “Somos executivos e colocamos o dinheiro disponível para investimentos naquilo que nos dará o melhor retorno. Se as renováveis fossem isso hoje, estaríamos colocando nosso dinheiro lá, mas não é o caso”. A Shell declara ter investido 1,7 bilhão de dólares nos últimos cinco anos em energias renováveis, biocombustíveis e tecnologias para captura e armazenamento de carbono. Daqui para a frente, porém, centrará esforços no desenvolvimento dos chamados biocombustíveis de segunda geração, ou seja, etanol extraído de diferentes tipos de biomassa, como bagaço de cana e lascas de madeira. Segundo a empresa, lidar com produção e distribuição de biocombustíveis é algo que tem mais afinidade com seu negócio atual – o dos combustíveis fósseis – do que a fabricação de painéis solares.

Para entender como a turbulência afetou a estratégia de sustentabilidade das empresas no Brasil, EXAME realizou, em parceria com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor da Fundação Instituto de Administração (Ceats-FIA), uma pesquisa com 81 companhias de médio e grande porte instaladas no país. Encerrado no final de maio, o levantamento mostra a situação dos investimentos das empresas nas esferas econômico-financeira, ambiental e social nos três anos anteriores à crise (de 2006 a 2008) e de setembro do ano passado até agora. A conclusão é que, impulsionadas pela pujança econômica dos últimos anos, muitas companhias vinham destinando um volume crescente de recursos para ações de sustentabilidade. De 2006 a 2008, 48% do universo pesquisado aumentou em até 21% os investimentos anuais para reduzir o uso de recursos naturais em suas operações e preservar ou regenerar ecossistemas. Os programas para diminuir emissões e resíduos também aumentaram em 43% delas. A situação era ainda melhor para o investimento social privado, dinheiro que as empresas repassam para projetos sociais, ambientais e culturais de interesse público: 51% das companhias aumentavam a cada ano os aportes nos projetos que gerenciavam diretamente ou por meio de suas fundações e institutos. Com a crise, a maioria das empresas optou por não aumentar os investimentos em sustentabilidade em 2009 – e, em alguns casos, até reduzir os valores em comparação ao ano anterior. A área mais afetada foi a de gestão ambiental, em que 14% das empresas entrevistadas afirmaram ter diminuído os aportes.

A fabricante de painéis de madeira Masisa, sediada no Paraná, é uma das companhias que optaram por preservar seus investimentos ambientais. No final de junho, a empresa colocará em operação em Montenegro, no Rio Grande do Sul, sua segunda fábrica. O projeto começou a sair do papel em 2007 e vai exigir 223 milhões de reais – 14% desse total em iniciativas ligadas ao meio ambiente. Nessa fábrica, toda a água usada nos processos fabris virá de uma lagoa de cerca de 3 hectares construída pela empresa (equivalente a três campos de futebol) que vem sendo enchida exclusivamente com água de chuva. “Numa crise, qualquer esforço para melhorar a ecoeficiência da operação passa a fazer mais sentido”, diz Jorge Hillmann, diretor-geral da subsidiária brasileira da Masisa. “Podemos sobreviver a uma estiagem de até quatro meses sem captar água no sistema e pagar por isso.” Mas não foram apenas os aportes ligados a ecoeficiência, fáceis de justificar sob a ótica da redução de custos, que a companhia levou à frente. A fábrica de Montenegro também terá um “lavador de partículas” – equipamento de 3,5 milhões de reais que impedirá que partículas muito finas de madeira resultantes da fabricação dos painéis sejam lançadas na atmosfera. “A legislação ambiental brasileira ainda não exige o seu uso”, diz Hillmann. “Estamos nos adiantando.”

A operação brasileira da suíça Tetra Pak, fabricante de embalagens longa vida, faz parte do grupo de 15% das empresas analisadas na pesquisa de EXAME que decidiram aumentar seus investimentos ambientais durante a crise. Sua bandeira verde é incentivar a reciclagem de seu produto por meio de programas educativos, campanhas institucionais e apoio a cooperativas de catadores. Em 2008, para colocar em prática essas ações, a Tetra Pak conseguiu que a matriz aprovasse uma verba de 8,5 milhões de reais – 70% maior que a de 2007. Neste ano, o desembolso chegará a 10 milhões de reais, o que permitirá, por exemplo, que a companhia veicule no segundo semestre em TV e rádio uma nova campanha institucional. O dinheiro extra da matriz permitiu também que a Tetra Pak fizesse algo que não estava nos planos: gastar 250 000 reais por mês na compra de 1 tonelada de embalagens longa vida coletadas pelas cooperativas. Com a desaceleração das atividades das empresas de papel e celulose – as principais compradoras das cooperativas -, o preço das embalagens usadas caiu cerca de 35% desde o início de 2008. Com receio de que essa queda desmotivasse a coleta, a Tetra Pak decidiu comprar o produto – para revendê-lo no futuro, quando o preço se estabilizar. “Depois de anos gastando energia e dinheiro para estruturar essa cadeia, seria péssimo para nós se a crise a desmantelasse”, diz Fernando von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak. Há oito anos, o percentual de embalagens de longa vida reciclado no país era de 15%. No ano passado superou 26%.

Surpreendentemente, o corte dos aportes na esfera social foi o menos drástico. “Os investimentos sociais normalmente têm custo mais baixo que os ambientais”, afirma Elidia Maria de Novaes Souza, pesquisadora do Ceats e responsável pelo levantamento feito em parceria com EXAME. Quase 63% das empresas entrevistadas mantiveram seus investimentos nessa área e apenas 5% declararam ter feito alguma redução. Uma delas foi a gaúcha Gerdau (a siderúrgica confirmou os cortes, mas não deu detalhes da decisão). Cerca de 32% afirmaram ter aumentado os gastos nesse campo. Dentro desse universo está a operadora de telefonia Oi, que aumentou de 23 milhões de reais em 2008 para 30 milhões neste ano a verba para seu braço social, o Instituto Oi Futuro. O dinheiro será usado, por exemplo, para inaugurar duas escolas do programa Oi Kabum! nas cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Nas duas unidades que já existem, em Recife e Salvador, a cada ano 160 jovens carentes ganham conhecimento técnico para trabalhar com vídeo, computação gráfica e webdesign, entre outros temas. O Oi Futuro também ampliará a abrangência do programa Tonomundo, que leva internet e conteúdo didático para escolas públicas.

Aproximar-se das comunidades e de seus clientes é vital para uma companhia em expansão acelerada, como a Oi. “Além da qualidade do produto ou do serviço, a maneira como as empresas se relacionam com a sociedade é cada vez mais uma estratégia de diferenciação em relação aos concorrentes”, diz Fernando Rossetti, secretário executivo do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). E a necessidade das companhias de manter uma boa imagem para com o público torna-se ainda mais importante em tempos de turbulência. “Sabe aquela velha história de cuidado com a reputação?”, diz Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. “Ela não foi abalada pela crise.” Por isso, qualquer mudança que a empresa faça em sua política de sustentabilidade neste momento deve ser conduzida com cuidado. Em outubro, 72 entidades selecionadas por meio de edital para começar a receber, ainda em 2008, apoio financeiro da Petrobras para seus projetos foram avisadas de que teriam de esperar até o início de 2009. “Havia muita insegurança em relação ao que ia acontecer no Brasil e no mundo e nós recebemos da direção a ordem de diminuir o ritmo dos repasses até que a coisa clareasse um pouco”, afirma Janice Dias, gerente de programas sociais da Petrobras. O anúncio foi suficiente para deflagrar um boato de que a estatal teria cortado o repasse de recursos para dezenas de ONGs – a situação só foi completamente contornada quando a Petrobras começou a fazer os depósitos para as organizações, em abril.

tab_especialsustent_g

A escassez de dinheiro tem obrigado as empresas a fazer escolhas. Se não há capital para levar adiante todos os projetos, o que deve ser priorizado? Essa foi a dúvida, por exemplo, da petroquímica brasileira Braskem, do grupo Odebrecht. Há cerca de dois anos, a empresa surpreendeu o mercado ao desenvolver um plástico com o etanol de cana-de-açúcar, matéria-prima 100% renovável. O “plástico verde” começará a ser produzido em escala industrial em 2011. E, após a eclosão da crise e diante de um prejuízo líquido de 2,4 bilhões de reais em 2008, os executivos da Braskem decidiram tirar recursos de projetos convencionais e manter os esforços no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. “Como nosso investimento em pesquisa e desenvolvimento deve ser cerca de 15% menor que o de 2008, optamos por desacelerar estudos que hoje são menos estratégicos para o negócio e centrar nos renováveis”, afirma Luis Fernando Cassinelli, diretor de inovação da empresa. Um dos campos de pesquisa que foram deixados de lado foi o de nanocompósitos – partículas adicionadas ao plástico para que ele adquira diferentes propriedades.

Empresas que escolheram a rota da sustentabilidade há mais tempo estão agora descobrindo que ela pode torná-las menos vulneráveis à crise. A madeireira paraense Cikel, que exporta 80% de sua produção, está sofrendo com a queda mundial na demanda pelo produto. Ainda assim, espera crescer 5% neste ano e faturar 138 milhões de reais. A explicação é que 70% da madeira negociada pela empresa é certificada segundo os padrões do Conselho de Manejo Florestal (na sigla em inglês, FSC). E o produto que leva o selo verde teve queda de preço de 5% de outubro pra cá – ante 20% da madeira não certificada. Pequenos produtores agrícolas de países em desenvolvimento que obedecem a critérios sociais e ambientais e possuem selos do chamado comércio justo também estão sendo menos afetados pela desaceleração. Segundo a Fairtrade International, ONG com sede na Alemanha, hoje as vendas globais de produtos que seguem essas regras chegam a 3,2 bilhões de dólares. A tendência está atrelada ao comportamento de um grupo de grandes empresas de bens de consumo que, para conquistar consumidores engajados, declararam recentemente que pretendem comprar mais desses fornecedores. Entre elas estão Unilever e Starbucks, que deve dobrar o volume de café certificado vendido em suas lojas até o final do ano.

Por enquanto, quem mais perdeu com a crise foi o mercado de energias limpas. No Brasil, a escassez de crédito afetou fortemente o setor de etanol. Em questão de meses, esse mercado, que despontava como uma das grandes promessas da economia, despencou – e várias empresas se viram em dificuldades. Afundada em dívidas, a Santelisa Vale, segunda maior usina de açúcar e álcool do país, foi comprada em abril pelo grupo francês Louis Dreyfus Commodities. A Infinity Bio-Energy, criada há pouco mais de três anos com dinheiro de fundos estrangeiros e com uma dívida que hoje supera 1 bilhão de reais, entrou com pedido de recuperação judicial dias atrás. Segundo um levantamento feito pela New Energy Finance em janeiro, dos 135 projetos de usinas previstos para ser implantados no Brasil até 2012, 46% tiveram sua execução adiada e outros 6% foram abandonados. “Só as empresas muito capitalizadas estão conseguindo escapar desse terremoto”, diz Camila Ramos, chefe de pesquisa da New Energy Finance para a América Latina. No resto do mundo, a situação não é muito diferente. De acordo com a consultoria, no primeiro trimestre deste ano os investimentos em energias renováveis sofreram queda de 44% em relação aos últimos três meses de 2008. Se comparado ao mesmo período do ano anterior, o volume de 13,3 bilhões de dólares é ainda 53% menor. A boa notícia é que mais de 150 bilhões de dólares em pacotes governamentais verdes de estímulo – entre eles o do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama – devem trazer de novo à vida parte dos investimentos em renováveis. “Estamos vivendo um hiato”, afirma Liebreich, presidente da New Energy Finance. Ainda que advogando em causa própria, ele diz que a economia verde certamente vai voltar a atrair investidores no futuro – a previsão da consultoria é que os investimentos cresçam no segundo trimestre deste ano. E a razão é simples. “Nada mudou em relação à ameaça do aquecimento global.”

Anúncios

Casa Branca pretende obter US$646bi com comércio de carbono

Por 26 de Fevereiro de 2009 | 13:15

WASHINGTON (Reuters) – O plano orçamentário do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai levantar receita estimada em 646 bilhões de dólares, de 2012 a 2019, graças ao comércio de carbono previsto em projetos de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa.

O programa gerará por volta de 150 bilhões de dólares, que serão investidos em tecnologia de energia limpa ao longo de 10 anos, além de criar uma taxa de crédito que “fará o trabalho valer”.

O governo Obama vai trabalhar com o Congresso para desenvolver um sistema que englobe a economia como um todo e estabeleça um limite para as emissões de grandes indústrias, além de exigir que elas comprem e vendam permissões para emitir os gases causadores do efeito estufa.

(Por Ayesha Rascoe)

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/agencias/reuters/reuters-negocios/detail/casa-branca-pretende-obter-us-646bi-comercio-carbono-288814.shtml

Etanol pode crescer nos EUA apesar de tarifas, diz Clinton

CLINTON
Em visita ao Brasil, ex-presidente dos Estados Unidos fala sobre biocombustíveis

As tarifas de importação podem deixar de ser um empecilho para a entrada do etanol brasileiro nos Estados Unidos, caso o governo americano acelere as restrições à emissão de gases causadores do efeito estufa nos próximos anos, disse o ex-presidente do país, Bill Clinton, em palestra em São Paulo. Para ele, mesmo que as tarifas se mantenham no patamar atual estados como a Califórnia podem se ver obrigados a importar o combustível se quiserem alcançar as metas de diminuição do impacto sobre o aquecimento global.

No Brasil, a participação do álcool no mercado de combutíveis deverá chegar a 75% até 2020, pelos cálculos do presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli.

Fonte: Informe semanal EXAME 05/06/09

Gabrielli: etanol reduzirá mercado de gasolina a 17% até 2020

02 de Junho de 2009 | 20:07 – Por Roberto Samora
 
0,,16190552-EX,00

SÃO PAULO (Reuters) – O mercado de gasolina para veículos leves no Brasil encolherá para 17 por cento até 2020, ante pouco menos de 50 por cento do total registrado atualmente, com o avanço do etanol decorrente do crescimento esperado da frota de carros “flex fuel” no país, previu nesta terça-feira o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

Ao mesmo tempo, o etanol utilizado nos veículos flexíveis (hidratado) atingirá 75 por cento do mercado total de combustíveis até 2020, enquanto o diesel responderá por 7 por cento das vendas e o álcool anidro, por apenas 1 por cento, de acordo com dados apresentados durante palestra no Ethanol Summit.

santa-cruz-anuncio-cronica-etanol“O etanol no Brasil cresce por decisão do consumidor, a existência do carro flex fuel mudou o panorama… Os postos de gasolina deveriam ser chamados de postos de etanol”, declarou Gabrielli.

Segundo o presidente da Petrobras, o crescimento da frota “flex fuel” –atualmente, cerca de 90 por cento dos carros novos são flexíveis– só é e será possível porque o Brasil é um país “único” em termos de disponibilidade do biocombustível.

Em função dessa característica do mercado brasileiro de combustíveis, e também da ampla infraestrutura que o Brasil tem para distribuir o etanol, Gabrielli afirmou que “dificilmente teremos no mercado global o que teremos no Brasil”.

Mesmo assim, ele avalia que o uso de etanol no mercado mundial crescerá de 5 a 15 por cento nos próximos dez anos.

“Estamos prevendo um aumento de dez vezes no fluxo de comércio mundial (de etanol). Isso vai modificar a posição do Brasil e dos países do Sudeste Asiático (como fornecedores)”, acrescentou.

MENOS GASOLINA

etanol2Já o encolhimento esperado para o mercado de gasolina no país, segundo Gabrielli, levará a companhia a optar por não produzir o produto nas cinco novas refinarias que construirá na próxima década.

“Vamos construir cinco novas refinarias até 2017… as cinco novas refinarias serão otimizadas não para produzir gasolina, mas outros produtos. Mas vamos continuar produzindo gasolina nas outras refinarias”, disse a jornalistas após a palestra.

Questionado se uma menor parcela de mercado para a gasolina interferiria nos planos da Petrobras para o pré-sal, ele afirmou que, com os novos campos abaixo da camada de sal, a estatal prevê aumentar a produção em 1,8 milhão de barris/dia. Mas ponderou que esse aumento no volume seria pequeno relativamente ao crescimento da demanda internacional por petróleo, indicando que o excedente será exportado.

“Além do aumento da produção de petróleo e gás, as novas refinarias aumentarão a capacidade de refino do Brasil dos atuais 1,9 milhão para 3,2 milhões de barris/dia. Isso significa que vamos processar uma quantidade maior do nosso petróleo, só que não serão refinarias que vão produzir tanta gasolina, vão produzir óleo diesel, querosene para aviação, GLP e outros produtos.”

A Petrobras prevê aumentar sua produção total, até 2020, dos atuais 2,4 milhões de barris para 5,7 milhões de barris diários, em média, com a maior parte do aumento vindo do pré-sal.

petrobras

http://portalexame.abril.com.br/agencias/reuters/reuters-negocios/detail/gabrielli-etanol-reduzira-mercado-gasolina-17-2020-411338.shtml

1º Congresso Brasileiro sobre Florestas Energéticas

Ai pessoal, do dia 2 a 5 de Junho vai rolar em BH o 1º Congresso Brasileiro sobre Florestas Energéticas.

1_CongFlorestasEnergeticas

Direito ao Palavrão – Millôr Fernandes

Eusei que este texto não tem nada a ver com o Blog, mas é Du Caralho!

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a “vulgarização” do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito,sua índole.

foda-se-pe

“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via- Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”. O “Não, não e
não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não! “o substituem. O “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

fodase3

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” – presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos.

Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”, ou seu correlato “Puta-que-o- pariu!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

Foda-se

E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cú!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cú!”.Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando,passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cú!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face,olhar firme,cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”.

meublog%20foda-se

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!. Grosseiro, mas profundo…

Pois se a lingua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. “Nem fodendo…”

Nego%20Joia

Aumento do metano no Ártico pode agravar efeito estufa

A elevação de 2007 superou o aumento global de metano de 0,34%, num novo recorde

OSLO – Uma elevação na concentração de um potente gás causador do efeito estufa sobre o Ártico, depois de décadas de estabilidade, está causando preocupação quanto ao possível degelo de um vasto reservatório de permafrost, como é chamado o solo congelado.

Os níveis de metano na atmosfera aumentaram 0,6% em 2008, de acordo com dados preliminares da Estação Zeppelin, baseada numa ilha remota do ártico norueguês, após um ganho similar de 0,6% em 2007, dizem autoridades norueguesas.

A elevação de 2007 superou o aumento global de metano de 0,34%, num novo recorde após uma estabilidade de uma década. Dados globais para 2008 ainda não estão disponíveis.

image006

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1: Crescimento da concentração de metano na atmosfera e valores anuais de concentração para duas séries de medidas. (Fonte IPCC Quarto Relatório de Assessoramento).

“A maior preocupação é que haja emissões do permafrost, e também das terras úmidas da região norte”, disse a cientista Catherine Lund Myhre, do instituto Norueguês de Pesquisas Aéreas.

Um degelo do permafrost, como o da Sibéria ou do Canadá,  poderia liberar grandes quantidades de gases do efeito estufa aprisionadas no solo e agravar o aquecimento global. 

O metano é o segundo mais importante gás do aquecimento global, atrás do dióxido de carbono, e responde por cerca de 18% do efeito de aprisionamento do calor do Sol na atmosfera terrestre causado por atividades humanas.

O metano é emitido de fontes naturais – como plantas podres em pântanos – e pelo uso de combustíveis fósseis, do plantio de arroz em banhados, de aterros e do aparelho digestivo de animais como vacas e ovelhas.

metano

Paul Fraser, um importante cientista da Organização de Pesquisa  Científica da Comunidade Australiana, disse que terras úmidas, tanto nos trópicos quanto no norte, parecem ser uma fonte provável de metano extra, após um período de seca.

Estudos indicam que 2007 e 2008 foram os anos mais úmidos nos trópicos em um quarto de século – o que pode ter impulsionado emissões de terras úmidas. Altas temperaturas no verão de 2007, nas regiões setentrionais, também levou a uma emissão das áreas úmidas, disse ele.

Mas ele não acredita em emissões de fontes mais profundas, como o permafrost e depósitos congelados no fundo do mar, os clatratos. “Ninguém acredita que permafrost ou outras fontes  profundas estejam envolvidas em mudanças de curto prazo”, disse ele.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,aumento-do-metano-no-artico-pode-agravar-efeito-estufa,375363,0.htm