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Secretário da ONU faz duras críticas a meta climática do G8

O chefe das Nações Unidas emitiu uma dura crítica aos líderes das oito economias mais desenvolvidas do mundo, que compõem o G-8, por não terem sido capazes de assumir um compromisso maior na redução dos gases causadores do efeito estufa no curto prazo, e acrescentou que isso será necessário para levar os países em desenvolvimento a fazer o mesmo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também afirmou que as nações industrializadas precisam oferecer financiamento aos países mais pobres, para que mudem seu padrão de desenvolvimento que envolve consumo intensivo de carbono e SDE adaptem aos efeitos da mudança climática.

“As políticas que anunciaram até agora não são suficientes, não são suficientes o bastante”, disse ele.

“Isto é ciência. Temos de trabalhar de acordo com a ciência. Este é um imperativo político e moral, e uma responsabilidade histórica para os líderes para com o futuro da humanidade, até mesmo o futuro do planeta Terra”.

 A nota do G-8 emitida na quarta-feira (8) diz que as maiores economias do mundo farão reduções “robustas” em suas emissões no médio prazo, a fim de atingir uma meta de 80% até 2050. Mas não ofereceram números precisos, a despeito da recomendação de um comitê da ONU que disse que as emissões globais precisam cair de 25% a 40% até 2020, para impedir que as temperaturas globais subam mais de 2º C acima dos níveis pré-industriais.

Os países em desenvolvimento dizem que a meta para 2050 não tem significado, porque está muito distante no futuro. Eles se recusam a apresentar suas metas antes que o G-8 adote alvos para 2020 e ofereça um plano claro para o financiamento da adaptação ao impacto da mudança climática. (Fonte: Estadão Online)

Carro flex será só um dos usos do etanol

Combustível conhecido por mover boa parte dos carros do país também já começa a ser usado para fabricar plásticos e para mover motos, ônibus, aviões e até usinas termelétricas

etanol

Por Marcio Orsolini | 07.07.2009 | 08h07

Portal EXAME –

O etanol ainda desponta como a principal fonte de energia renovável no mundo, mas ainda há impasses que impedem a viabilização do combustível como uma mercadoria global. Em 2009, as exportações brasileiras devem cair 20%, para 4 bilhões de litros. Como o país se preparou para um boom de exportações nesta década, há excesso de capacidade instalada, grandes usinas de cana-de-açúcar em dificuldade, atraso no pagamento de fornecedores e muitas fusões e aquisições à vista.

A expectativa para o etanol no mercado interno, entretanto, é bem melhor. A quebra da safra de açúcar na Índia deve elevar os preços. Com isso, os usineiros brasileiros aumentarão a produção de açúcar e reduzirão a de etanol – beneficiando também os preços do combustível. No longo prazo, porém, o setor aposta nas exportações e também no desenvolvimento de novos usos para o etanol no mercado interno.

O setor de transporte é o que mais apresenta possibilidades de inovação. Hoje o país conta com cerca de 37 mil postos de abastecimento com ao menos uma bomba de etanol e 97% dos automóveis produzidos permitem o uso desse combustível. Os modelos flex fluel somarão 75% da frota em 2020. Mas aos poucos outros segmentos se rendem ao uso do etanol. Veja abaixo cinco novos usos do combustível:

Geração de energia
A principal novidade sobre o uso do etanol é uma iniciativa da Petrobras. No fim de junho, a empresa brasileira anunciou que iniciará em dezembro testes com o uso do combustível renovável em sua termoelétrica localizada em Juiz de Fora, Minas Gerais, para geração de energia. Será a primeira do mundo a apostar nessa tecnologia. A unidade – adquirida pela Petrobras em 2007 – é movida a gás e passa por um processo de conversão desde abril.

Para o projeto, foram destinados 11 milhões de reais na troca dos equipamentos que permitem o recebimento, o armazenamento e a movimentação do etanol. Por enquanto, apenas uma das duas turbinas em operação na termoelétrica vai funcionar com a nova tecnologia. Sozinha, ela deve gerar cerca de 42 megawatts de potência, o suficiente para abastecer uma cidade de 800.000 habitantes. O projeto de conversão de térmicas da empresa de gás natural para etanol começou a ser desenhado há dois anos pelo setor de abastecimento da Petrobras, que visava exportar etanol para o Japão utilizar em usinas térmicas.

“Plástico verde”
Um dos grandes vilões combatidos cada vez mais pelos ambientalistas é o plástico. Só no Brasil foram produzidos 5,14 milhões de toneladas de plástico em 2008 – 17,5% no setor alimentício, 15,6% na construção civil (PVC para tubos e conexões) e 14,5% em embalagens. Para a produção dessa quantidade de plástico foram necessários 36 milhões de barris de petróleo.

Para diminuir as emissões da queima de combustíveis fósseis utilizados na fabricação do material, a petroquímica brasileira Braskem, do grupo Odebrecht, surpreendeu quando começou a desenvolver um plástico com o etanol da cana-de-açúcar há dois anos. “O principal motivo é uma demanda crescente de mercado por materiais sustentáveis”, diz Antônio Queiroz, diretor de competitividade e inovação da Braskem. A empresa já tem parceria com a marca de brinquedos Estrela.

O “plástico verde” é um polietileno de alta densidade – uma das resinas mais utilizadas em embalagens flexíveis. “Com o etanol, o nível de impurezas mais baixo melhora o processo de polimerização”, explica Antônio. Apesar de haver um custo 30% maior na produção do novo plástico, a empresa espera, no longo prazo, recuperar os investimentos feitos agora.

A produção comercial do produto em escala industrial está prevista para o final de 2010, quando a planta industrial em Triunfo, Rio Grande do Sul, produzirá 200 mil toneladas por ano. A planta terá 500 milhões de reais em investimentos. A empresa também está desenvolvendo tecnologia para a produção de polipropileno a partir do etanol, que deve chegar ao mercado nos próximos três anos. O plástico rígido é largamento utilizado na indústria automobilística para a fabricação de parachoques e painéis.

Ônibus
A capital paulista conta com uma frota de quase 42 000 ônibus movidos a gasolina e diesel, responsáveis pela emissão de toneladas de gás carbônico. Mas isso pode mudar em breve. São Paulo será a primeira cidade a ter uma frota de ônibus movidos a etanol. Hoje, a cidade conta com apenas um veículo movido a etanol, homologado pela EMTU, que circula desde dezembro de 2007. Ele trafega no corredor entre os bairros de Jabaquara e São Mateus, que tem 33 quilômetros de extensão e transporta seis milhões de passageiros por mês. O segundo veículo começará a circular em agosto, pela SPTrans numa linha da Avenida Paulista, na região central da cidade.

“Outros estados como Recife e Rio de Janeiro já mostraram interesse pelo projeto”, diz a engenheira Silvia Velázques, integrante da equipe do Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), da Universidade de São Paulo, onde o projeto é testado desde 2005. Segundo ela, a prefeitura de São Paulo está cada vez mais envolvida nas negociações para ampliar a frota. A Cetesb e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente concordaram recentemente em realizar os testes de emissão e acompanhar o desenvolvimento do projeto.

A iniciativa faz parte do projeto Best – BioEtanol para o Transporte Sustentável – da União Europeia, coordenado pela prefeitura de Estocolmo, que destinou cerca de 230 mil reais para o projeto no Brasil. Além de São Paulo, pioneira nas Américas, o projeto funciona em outras locais: Estocolmo (Suécia), Madri e País Basco (Espanha), Roterdã (Holanda), La Spezia (Itália), Somerset (Reino Unido), Nanyang (China), Dublin (Irlanda).

Há dois anos o Cenbio firmou parceria com a Scania Latin América que importou o chassi e o motor da Suécia, com a Marcopolo que projetou o veículo e forneceu a carroceria, e com a Unica que fornece o etanol. A ideia, no entanto, é trazer a produção para a unidade brasileira da Scania.

O principal fator que levou a implantação do projeto na capital é a preservação do meio ambiente. De acordo com o Cenbio, o motor do novo ônibus reduz em 92% a de monóxido de carbono, e em até 100% a de óxido de enxofre e dióxido de carbono – um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Além disso, a Câmara de São Paulo aprovou no início de junho a Política Municipal de Mudanças Climáticas, que estabelece como meta para 2012 a redução de 30% das emissões de gases de efeito estufa na cidade, o que incentivará o uso do transporte coletivo, entre outras medidas.

O principal problema é que o custo de operação do ônibus movido a álcool calculado pelo Cenbio é 6% a 7% mais alto do que os veículos que usam diesel. Essa variação ocorre porque, apesar de o etanol ser em torno de 50% mais barato (sem considerar a inclusão de aditivos), o consumo do combustível renovável nesse tipo de ônibus é cerca de 60% maior em relação ao derivado de petróleo. “O próximo passo é trabalhar para conseguir reduzir essa diferença de consumo, o que deixa mais caro o custo de operação”, diz Silvia.

Etanol para duas rodas
Os carros flex não serão mais os únicos a contar com a tecnologia que permite optar entre gasolina e álcool. Agora, a frota de 11,6 milhões de motos no país também poderá ser substituída por modelos flex. A montadora japonesa Honda, líder no mercado brasileiro de motocicletas, lançou em março a primeira moto bicombustível do mundo. O desenvolvimento da CG 150 Titan Mix, voltada para o mercado brasileiro, acompanha a estratégia mundial da Honda voltada para a preservação do meio ambiente, com a criação de novas tecnologias ecologicamente responsáveis. A disponibilidade do etanol em todo o território nacional e a aceitação do público com os modelos flex foram fatores decisivos no desenvolvimento do novo modelo. As pesquisas, realizadas entre 2006 e 2009, foram uma parceria entre as unidades da Honda no Brasil e no Japão. A finalização do projeto aconteceu do Brasil, com o apoio da equipe brasileira.

De acordo com pesquisas realizadas pela montadora com proprietários da CG 150 Titan, a maioria dos entrevistados compraria uma motocicleta bicombustível. Entre as vantagens citadas pelos usuários, as principais são a possibilidade de escolha do combustível e a economia de dinheiro. A moto flex custa 300 reais a mais que a versão gasolina, mas o proprietário economizaria cerca de 1 000 reais por ano abastecendo com álcool. Por isso outros fabricantes poderiam seguir a tendência da Honda. Desde o lançamento em março, foram vendidas 53 547 motos flex e a montadora espera fechar o ano com vendas de 164 000 unidades.

A Honda, que não divulgou a quantia investida no projeto, disse que o custo de produção é maior devido à presença de oito itens específicos não presentes na versão a gasolina como bico de injeção com mais furos, gerador mais potente, bomba de combustível com tratamento anti-corrosão e tela anti-chama no tanque.

Voando a álcool
Nem as aeronaves escaparam do uso do etanol como combustível. Porém, a utilização para voos transatlânticos ainda está distante. O que se tem hoje é um uso em larga escala na agricultura. O mercado de aviação agrícola brasileiro é o segundo maior do mundo e cerca de 75% da frota de aeronaves é do modelo Ipanema – desenvolvido há 37 anos pela Neiva, subsidiária da Embraer localizada no município de Botucatu, no interior de São Paulo. Do total de 1.000 unidades da aeronave em operação, 257 são movidas a etanol.

A ideia surgiu por conta de uma demanda de mercado por combustíveis renováveis. O modelo movido a etanol começou a ser planejado em 2002 e foi concluído dois anos depois. A Ipanema é a primeira aeronave do mundo certificada para voar com etanol. A equipe técnica da Neiva também converte o motor das aeronaves movidas a diesel para o etanol – já são 183 convertidas. A Embraer espera entregar até o final do ano mais 32 modelos – cada unidade avaliada em 642 000 reais – e 30 kits de conversão.

Além de ser utilizada na indústria agrícola, principalmente na pulverização de defensivos, a Ipanema também pode ser usado no combate a incêndios e a vetores e larvas. O menor preço do álcool reduz os custos de operação e manutenção e tem um impacto muito menor sobre o meio ambiente. O motor movido a álcool permite um aumento de cerca de 5% na potência, melhorando o desempenho geral do avião.

A grande desvantagem do avião da Embraer é que o volume de etanol consumido é muito superior ao do querosene de aviação. Ficaria inviável construir um tanque maior para compensar a diferença. “Ainda é preciso desenvolver tecnologias para voos mais longos. Em grandes altitudes o etanol pode congelar e há também a baixa autonomia do combustível”, diz Almir Borges, diretor da unidade de Botucatu da Embraer.

O Ipanema, de apenas 7,43 metros de comprimento, pode voar numa altitude de até 1.800 metros. O tanque de 264 litros permite apenas uma viagem de pouco mais de duas horas. O Airbus, modelo mais utilizado para viagens transatlânticas, tem capacidade de voar por quase 12 horas antes de precisar abastecer. Porém, a tecnologia do Ipanema já é um passo de aprimoramento. Resta saber quando haverá tecnologia para permitir que grandes aeronaves utilizem o etanol em voos de grande distância.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/economia/carro-flex-sera-so-usos-etanol-480948.html