Archive for the ‘Animais e alimento’ Category

Verde e pragmática

exame/economia

Enquanto parte do governo continua às turras com o agronegócio – a última investida veio do ministro Paulo Vannuchi, dos Direitos Humanos -, a ONG americana TNC mostra que a parceria com os produtores é o melhor caminho para preservar a natureza

Mallmann: imagens de satélite para mapear a situação de terras no interior do país

Por ANGELA PIMENTA | 04.02.2010 | 09h41

Uma sina curiosa vem perseguindo o agronegócio brasileiro nos últimos anos. Quanto mais dá mostras de sua competência lá fora, mais ele apanha aqui dentro – das ONGs, de políticos, do próprio governo. A mais recente investida ocorreu com a divulgação da nova versão do Programa Nacional de Direitos Humanos, de autoria do ministro Paulo Vannuchi. No meio de um festival de barbaridades, ficamos sabendo que o plano dá respaldo às invasões de terras, dificultando a obtenção de mandados de reintegração de posse na Justiça. Esqueça a lei. Se prevalecer o que Vannuchi propôs, as invasões serão avaliadas por audiências públicas – e só se essas audiências aprovarem é que a Justiça entrará em ação para defender os proprietários. Felizmente, nem todos acham que os males do Brasil são a excelência na produção de comida. Até mesmo ONGs ambientalistas, famosas pela virulência de sua militância, compreenderam que o agronegócio pode ser parceiro não apenas na hora de gerar riquezas mas também – pasme – de proteger a natureza.

O melhor exemplo tem sido dado pela americana The Nature Conservancy (TNC), a maior organização civil do planeta voltada para o meio ambiente, hoje presente em 32 países. A TNC é responsável pelo mais bem-sucedido modelo de combate ao desmatamento do país, o de Lucas do Rio Verde, no interior de Mato Grosso – conseguido exatamente por meio de parceria com o agronegócio. A ideia é obter a preservação combinando imagens de satélite – que permitem mapear as terras e detectar a derrubada de árvores – com incentivos econômicos, como linhas de crédito e cursos de educação ambiental para fazendeiros que se mostram dispostos a regularizar suas atividades. Agora o programa de Lucas do Rio Verde começa a ganhar escala nacional. Inspirado nele, o governo federal lançou o programa Mais Ambiente com o objetivo de regularizar sobretudo propriedades rurais com problemas de desmatamento ilegal e que não estão registradas devidamente. O governo fixou prazo de três anos para a adesão dos proprietários ao programa. A medida vale para todo o país, mas tem por alvo especialmente as áreas mais críticas da Amazônia. Paralelamente, o governo de Mato Grosso adota a mesma abordagem para legalizar a situação fundiária no estado. O governador Blairo Maggi lançou em 2009 o programa Mato Grosso Legal para cadastrar 50 000 propriedades até o fim deste ano. No âmbito federal, ainda não se sabe quantos produtores serão atingidos.

Fonte inspiradora dessas iniciativas, a TNC é um exemplo de pragmatismo que contrasta com o estereótipo da militância irada e inconsequente de muitas ONGs. Em Lucas do Rio Verde, município que é um dos maiores produtores de soja do país, a TNC teceu em 2007 uma parceria entre a prefeitura e as empresas Sadia, Syngenta e Fiagril. Nos últimos três anos, o agrônomo Giovanni Mallmann, chefe da equipe da TNC na cidade, rodou 20 000 quilômetros visitando as 820 fazendas da região. “No começo, parte dos proprietários nos via com desconfiança”, diz Mallmann. “Agora eles sabem que esse é o único caminho capaz de garantir a preservação das terras e a existência de compradores para seus produtos.” Batizado de Lucas do Rio Verde Legal, o programa fez um diagnóstico com imagens de satélite e deu prazo de dez anos para os fazendeiros recuperarem as matas. Eles também ganham mudas e assistência técnica no replantio. Hoje, o cadastramento das terras de Lucas do Rio Verde está pronto e a base de dados gerada vai ser transferida para o governo de Mato Grosso desenvolver seu programa.

É VERDADE QUE A IDEIA de usar satélite para esquadrinhar as propriedades rurais já existia em repartições federais e estaduais desde os anos 90. Mas o plano oficial era um fiasco em estratégia e gestão. “As normas ditavam que o proprietário em situação irregular levasse sua documentação ao poder público”, diz a bióloga Ana Cristina Barros, representante da TNC no Brasil. “Mas, ao chegar lá, ele seria autuado em flagrante.” Como era de prever, a iniciativa governamental fracassou. Em Lucas, a TNC mudou a tática. Em vez de os produtores irem a uma repartição, a ONG e representantes da prefeitura visitam os fazendeiros para obter sua adesão. Uma das metas da TNC em 2010 é o cadastramento de terras em 12 municípios do Pará e de Mato Grosso, no chamado arco do desmatamento, para legalizar a cadeia produtiva da madeira, da pecuária e da soja. A verba disponível é de 16 milhões de reais do Fundo Amazônia, uma carteira administrada pelo BNDES com recursos doados pela Noruega. No projeto, que tem uma contrapartida de 3,2 milhões de reais da própria TNC, a organização trabalhará em parceria com as prefeituras locais. “Contamos com o conhecimento da TNC para iniciar a regularização fundiária na região”, diz o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. “Ela provou ter um método bem-sucedido para os produtores se adequarem às normas ambientais.” Falta convencer outros companheiros do governo de que o tiroteio sobre os proprietários não ajuda – mas pode atrapalhar muito.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0961/economia/verde-pragmatica-531131.html

Anúncios

Resíduos agrícolas viram aquecimento na Dinamarca

27/01/2010 – Autor: Paula Scheidt – Fonte: CarbonoBrasil

Rejeitos da criação de animais e restos das colheitas viram matéria-prima para a produção de energia usada na calefação de edifícios, criando ambientes agradáveis para enfrentar o rigoroso inverno do norte da Europa

Calor e luz em abundância são coisas raras no inverno dinamarquês.  Nesta época do ano, as pessoas andam apressadas pelas ruas ou aceleram a pedalada para chegar logo ao seu destino. Pois, se na rua as temperaturas negativas exigem casacos pesados, chapéus e luvas; ao entrar nas casas e edifícios é preciso se livrar rapidamente de todo estas roupas.

Para criar ambientes tão confortáveis, grandes volumes de matéria-prima precisam ser queimadas para gerar calor capaz de aquecer os locais fechados por onde circulam os mais de 5,5 milhões de habitantes do país.

A boa notícia é que 41,1% da calefação produzida na Dinamarca vêm da queima da biomassa, incluindo aí lixo, rejeitos do campo, do setor madeireiro e da criação de animais.

O país possui 665 usinas de co-geração de energia (eletricidade e calor) e 230 usinas que produzem apenas aquecimento, que é distribuído com o uso de água em um sistema de tubulações.

A CarbonoBrasil visitou uma delas em uma pequena vila rural há 80km de Copenhague, onde um grupo de 21 agricultores decidiu formar uma cooperativa para produzir calor para suas residências usando o ‘lixo’ resultante do processo de criação de suínos.

Com a idéia na cabeça, eles fizeram um empréstimo de 60 milhões de coroas dinamarquesas, algo como 2,1 milhões de euros, em 1994 e montaram a usina de biogás próxima as suas propriedades.

Um caminhão coleta os resíduos da criação de animais nas fazendas e os leva até a unidade de biogás. Ali, das cerca de 220 toneladas de dejetos que chegam diariamente são obtidos cerca de 13 mil a 15 mil metros cúbicos de gás.

Deste modo, além de terem achado uma solução de descarte para o resíduo da sua produção, que é altamente poluente para os leitos dos rios e solo, os agricultores mantém as casas de 465 famílias das cidades de Dalmose e Flakkebjerg totalmente aquecidas no inverno. Isto sem contar que, no processo de produção do biogás, eles também obtêm adubo com alta riqueza de nutrientes para suas lavouras.

Dos campos para as caldeiras

Não muito longe dali, a cerca de 40 Km de Copenhague, na cidade de Borup, conhecemos outra iniciativa rural com duplo benefícios.

Um grupo de 29 fazendeiros se juntou em 1984 para construir uma usina de produção de energia para calefação com base na queima do feno, resíduo resultante da colheita na agricultura. A usina recebe hoje cerca de 7,6 mil toneladas de feno por ano e cada agricultor recebe cerca de 0,7 coroas por quilo de feno entregue.

O engenheiro Soren Mortensen, da empresa que construiu a usina, Andritz Sprout, explica que a soma paga depende da qualidade do feno. “Quanto mais seco, melhor o preço. No inverno, por exemplo, o material não pode ter mais de 20% de umidade”, diz.

 A usina produz, em média, 7,5 MW por ano, que é usado para fornecer calefação a 1,7 mil casas.

Mortensen explica que os consumidores pagam a metade do valor que pagariam pelo sistema convencional a gás ou carvão por exemplo. Segundo ele, a construção da usina custou 3 milhões de euros e, para mantê-la, são gasto apenas 3 mil euros anuais em manutenção.

Além disso, assim como na usina de biogás, nada se perde por aqui. As cinzas resultantes da queima do feno são mais uma vez reutilizadas no campo, também como fertilizante.

Fonte: http://www.carbonobrasil.com/#reportagens_carbonobrasil/noticia=724428

Eructações bovinas ajudam a estudar mudança climática

Roubaram a minha idéia, mas pelo menos colocaram um tanque fashion nas pobres coitadas…

Por Sabrina Domingos, do Carbono Brasil

Cientistas argentinos instalaram tanques de plástico nas costas de vacas para coletar o gás metano emitido pelo arroto desses animais. A idéia é estudar o aquecimento global a partir desse experimento. Os pesquisadores dizem que lento sistema digestivo das vacas faz com elas produzam metano – gás com 21 vezes mais poder de aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2), mas que recebe menos atenção pública.

vaca3

Em todo o mundo cientistas estudam a quantidade de metano emitida pelos arrotos de vacas, mas os pesquisadores da Argentina dizem que precisaram elaborar um método único. Eles instalaram um tanque vermelho de plástico nas costas de uma vaca e o conectaram ao estomago do animal por meio de um tubo. Com isso, conseguem seqüestrar e analisar os arrotos bovinos.

“Quando obtivemos os primeiros resultados, ficamos surpresos. Cerca de 30% do total de emissões de gases do efeito estufa da Argentina podem ser gerados pelas vacas”, afirma Guillermo Berra, do Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola.

vaca

Uma das maiores produtoras de carne, a Argentina possui cerca de 55 milhões de cabeças de gado nos seus famosos pampas. Berra explica que os pesquisadores nunca imaginaram que uma vaca de 550 quilos poderia produzir entre 800 e mil litros de emissões por dia. Pelo menos 10 vacas estão sendo analisadas, inclusive algumas confinadas, cujos arrotos são coletados por balões amarelos presos no teto.

Agora os cientistas trabalham para desenvolver novas dietas que tornem a digestão das vacas mais fácil, trocando grãos por plantas como alfafa e trevos. Os estudos preliminares mostraram que é possível reduzir as emissões de metano em 25%, afirma Silvia Valtorta, do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas.

estomago_de_vaca

Aplicando aqui

Matheus Alves de Brito, sócio-diretor da consultoria ambiental MundusCarbo, afirma que o estudo argentino pode ser especialmente interessante para o Brasil, já que possuímos o maior rebanho bovino do mundo, estimado em mais de 200 milhões de cabeças – conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“No entanto, coletar os gases que saem de dentro de um bovino é um método invasivo e caro. E dificilmente créditos de carbono serão reivindicados no curto prazo por esse tipo de captura de metano, pois não existe qualquer projeto parecido com esse em curso, tampouco existe metodologia para geração de créditos a partir do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo da ONU ”, esclarece.

vaca2

Ainda assim, Brito ressalta que as medições diretas permitidas pelo estudo serão úteis para desenvolver uma alimentação que produza menos metano, já que, dado o tipo de digestão dos bovinos, a sua produção é inevitável. “Neste caso, a modificação da alimentação poderia sim vir a gerar projetos de carbono”, conclui.

peidobras

* Com informações da Reuters.

(Carbono Brasil)

Vaquinhas; o que fazer com elas?

Existe um lado do aquecimento global que a maioria das pessoas nem se quer sabe que existe: a emissão dos gases causadores do efeito estufa (Green house gases) pela produção, em massa, dos ruminantes (vaquinhas, cabrinhas, ovelhinhas e por ai vai…); ruminantes, estes, que fornecem a santa proteína utilizada na alimentação dos carnívoros.

Primeiramente, entendamos como funciona o aparelho digestivo de um ruminante:

Os ruminantes possuem quatro estômagos e digerem seus alimentos neles; ao invés de em seus intestinos. Eles comem o alimento, regurgitam-no como bolo alimentar e tornam a comê-lo (vomitam dentro de si e voltam a engolir. [ – Que coisa mais nojenta!!! ] ). As bactérias estomacais, destes animais, ajudam na digestão; mas, também, produzem metano (CH4), assustadoramente.

Os ruminantes emitem sua contribuição de CH4 através de suas eructações (nome científico dos arrotos) e, em menor quantidade, pelas suas flatulências (peidos). Uma vaca produz entre 100 e 500 litros de CH4, por dia; aproximadamente, 250g; o que corresponde a 350 mil toneladas de CH4 no ar. Ou seja, nossa manada de 1,4 bilhões de vacas, no mundo, equivale a 50 milhões de carros poluentes.

Look this (VEJA):

Segundo relatório emitido pela Food and Agricultura Organization (FAO), a pecuária contribui mais para o aquecimento global do que os automóveis; representando 18% de todas as emissões [1]. Isso tudo, sem contar que 64% de toda a emissão global de amônia é oriunda dos ruminantes; que contribui, significativamente, pela formação da chuva ácida.

Um fato histórico, agravante, foi a substituição das pastagens naturais, modificadas pelo Homem, que introduziu a cultura do azevém (tipo de vegetação que é considerada o fast food das gramas; perene, cresce rapidamente e em grandes quantidades). Entretanto, esta gramínea é de difícil digestão e fermenta nos estômagos dos ruminantes; aumentando a produção de gás.

Já que, o Ser Humano não vai parar de comer a carne destas verdadeiras indústrias de CH4 , o que fazer?

Diversas soluções estão sendo desenvolvidas. Na Austrália, cientistas verificaram que cangurus peidam menos que ovelhas. Eles estão investigando os microorganismos presentes no estômago dos cangurus; com o intuito de isolar as bactérias responsáveis pela inibição da produção de CH4. Caso tenham sucesso, poderão utilizar estas informações para reduzir as emissões em vacas e ovelhas.

Outra descoberta, no mínimo curiosa, é que a ingestão de alho, pelas vaquinhas, contribui para a minimização da produção de CH4; as pobres coitadas passam a peidar pela metade; já que, o alho inibe a produção do gás metano (CH4); pelos microorganismos geradores. Estes resultados são, ainda, preliminares e estão sendo estudados por cientistas galeses.

Outra solução, um tanto quanto sádica, seria enclausurar os animais e/ou entubar os orifícios emissores. – Gente, as vacas pediam energia! Logo, este potencial energético seria encaminhado a centrais geradoras e seria convertido em energia elétrica.

Agora, não quero nem imaginar o que irão dizer, desta bizarra idéia, os membros da Sociedade Protetora dos Animais.

Fontes:

http://www.humornaciencia.com.br/laboratorio/ovelha.htm

http://www.humornaciencia.com.br/laboratorio/canguru.htm

http://ambiente.hsw.uol.com.br/gas-metano-vacas.htm

http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=3325

[1] Jornal Valor Econômico; 30/11/06