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Evento discutirá gargalos e estratégias para uso da bioenergia

”]Fábio de Castro – Agência Fapesp – 17/03/2010

Cientistas de dezenas de países têm unido forças para superar uma série de obstáculos relacionados à produção sustentável de energia de biomassa, a chamada bioenergia.

Uma das principais iniciativas internacionais com esse objetivo – o projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB) – trará ao Brasil, na próxima semana, alguns dos principais especialistas na área de bioenergia.

Bioenergia sustentável

Tendo em vista viabilizar, no futuro, a produção de bioenergia sustentável em larga escala – definindo estratégias para implementação de políticas públicas -, o projeto GSB é composto, em sua primeira fase, por uma série de cinco convenções internacionais. Cada uma tem o objetivo de fornecer uma plataforma para oportunidades, desafios e preocupações regionais e transnacionais relacionados à bioenergia.

A primeira reunião ocorreu em fevereiro na cidade de Delft, na Holanda. A segunda, com duração de três dias, terá início nesta quarta-feira (17/3) em Stellenbosch, na África do Sul.

A terceira etapa (The Latin American Convention of The Global Sustainable Bioenergy Project) será realizada entre os dias 23 e 25 de março na sede da FAPESP, em São Paulo.

As duas últimas reuniões estão programadas para junho, na Universidade Tecnológica da Malásia, na cidade de Skudai, e para setembro, nos Estados Unidos, na Universidade de Minneapolis.

Gargalos e estratégias para a bioenergia

De acordo com o organizador do evento latino-americano, Luís Augusto Barbosa Cortez, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a iniciativa pretende trazer respostas às incertezas relacionadas ao uso da bioenergia e, em última instância, pavimentar o caminho para a viabilização e implementação da produção global de bioenergia.

“O objetivo principal do projeto é promover o uso de bioenergia, discutir gargalos e definir estratégias nos cinco continentes. A reunião no Brasil será especialmente importante, pois o país é o melhor exemplo do uso de bioenergia em larga escala. E é também quem tem a maior promessa de expansão dessa matriz”, explica ele.

O eixo central dos debates na etapa brasileira do projeto GSB será a especificidade do uso de bioenergia no contexto latino-americano. O potencial para o uso de bioenergias no Brasil, segundo Cortez, é incomparavelmente maior do que nos outros países participantes do projeto.

“Nos Estados Unidos e na Europa, o potencial é maior caso a hidrólise enzimática seja um sucesso, pois esse conjunto de países tem sérias restrições em relação à área plantada e dependerá de culturas e do aproveitamento de resíduos agrícolas”, afirmou.

No caso dos países africanos, o potencial para expansão é grande, mas há limitações de outra ordem, particularmente relacionadas à falta de infraestrutura e de mão de obra especializada.

Substituição da energia fóssil por bioenergia

As convenções do GSB não são voltadas para discutir questões tecnológicas. O foco central são os obstáculos que limitam a expansão global da bioenergia. “Já será um grande passo identificar os gargalos e definir uma estratégia. A meta é conseguir que todos os países do mundo cheguem a substituir cerca de 25% da energia fóssil por bioenergia”, disse Cortez.

Um dos participantes de destaque na reunião latino-americana será Lee Lynd, do Dartmouth College (Estados Unidos), pioneiro na pesquisa em biocombustíveis que se dedica desde 1987 a estudos para o desenvolvimento de etanol celulósico. Lynd, presidente do comitê diretor do Projeto GSB, apresentará uma visão geral do projeto e fará a conferência de encerramento.

Outros destaques serão o físico José Goldemberg, que apresentará conferência sobre o impacto ambiental positivo dos biocombustíveis, Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que fará um pronunciamento no dia 24, e o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz.

O evento terá ainda a participação de cientistas estrangeiros como Tom Richard, da Universidade Estadual da Pennsylvania (Estados Unidos), Roldolfo Quintero, da Universidade Autônoma Metropolitana (México), John Sheehan, do Centro Nacional de Bioenergia (Estados Unidos), Emile van Zyl, da Universidade de Stellenbosch (África do Sul), e Patricia Osseweijer, da Universidade de Delft (Holanda).

Entre os brasileiros, participarão André Corrêa do Lago (Ministério das Relações Exteriores), Márcia Azanha (Universidade de São Paulo), André Nassar (Icone), Manoel Regis Lima Verde Leal (Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol) e os coordenadores do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) Gláucia Mendes de Souza, Marcos Buckeridge e Heitor Cantarella.

Bioenergia em larga escala

Além da primeira fase, correspondente às cinco convenções que buscam os gargalos científicos para a produção em escala de bioenergia, o projeto GSB é composto de mais dois estágios.

O segundo estágio terá foco em uma questão: “É fisicamente possível chegar a uma fração substancial de fontes energéticas derivadas de plantas, na demanda futura de eletricidade e mobilidade no mundo, garantindo que a sociedade global consiga suprir outras necessidades importantes, incluindo alimentação humana, preservação do hábitat e manutenção da qualidade ambiental?”.

“O objetivo dessa fase será testar a hipótese de que é fisicamente possível conciliar a produção de bioenergia de larga escala com demandas competitivas de terra para essa finalidade”, disse Cortez.

O terceiro estágio será voltado para a discussão dos caminhos para a implementação da produção de bioenergia em larga escala, incluindo questões sociais, econômicas, políticas e éticas.

O objetivo será o desenvolvimento de políticas e estratégias para uma transição responsável para uma sociedade sustentável baseada globalmente em fontes bioenergéticas. “A partir das análises colocadas em perspectiva sobre todos esses fatores, o projeto tem a intenção de desenvolver recomendações para rotas de ação e políticas públicas”, disse.

O evento é isento de taxa de inscrição e as palestras terão tradução simultânea. Mais informações podem ser obtidas pelo site http://www.fapesp.br/gsb ou pelos telefones (11) 3838-4216 / 3838-4006.

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Petrobras avalia entrar na ETH-Brenco

Estatal estuda crescer na área de etanol por meio de uma parceria com o grupo Odebrecht também na área de bioenergia

Petrobras quer investir no setor de bioenergia para evitar desabastecimento de etanol

Por Thiago Bronzatto | 18.02.2010 | 12h41

SÃO PAULO – O anúncio da fusão dos ativos da ETH Bioenergia com a Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), anunciada nesta quinta-feira (18/02), prenuncia a consolidação do setor sucroalcooleiro esperada para este ano. Segundo apurou EXAME com fontes ligadas ao ramo petroquímico, a Petrobras estaria interessada em deter uma participação na nova ETH, empresa avaliada em 7 bilhões de reais. Desde o ano passado, executivos da estatal brasileira e do grupo Odebrecht têm discutido a melhor maneira de viabilizar essa parceria, que pode fortalecer a posição da ETH-Brenco de líder mundial em produção de energia renovável. “Somos uma noiva muito linda e queremos ser cotejada pelas maiores empresas petrolíferas. Sem dúvida, a Petrobras, seria um excelente pretendente. Mas, ainda não há acordos formais”, afirmou a EXAME José Carlos Grubisich, presidente da nova ETH.
A participação da Petrobras. na fusão não seria apenas essencial para explorar o potencial da produção de etanol no Brasil, mas também para sanar o déficit no caixa da nova companhia. A ETH-Brenco nasce com uma relação dívida líquida/EBITDA (geração de caixa operacional) próximo de 30 vezes. Em geral, o mercado acredita que a proporção saudável seria de até 3 vezes o Ebitda. “Estamos em período de investimentos em construção de usinas. Por isso esse valor é alto”, disse a EXAME Philippe Reichstul, presidente da Brenco.

Esse débito exorbitante é consequência de dois fatores: a Brenco não é uma empresa operacional – ou seja, não é geradora de caixa – e os seus investimentos em usinas, subsidiados por capital estrangeiro e por empréstimos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), não foram suficientes para que a empresa escapasse ilesa do período de crise de crédito no setor.

Debilitada financeiramente, a Brenco foi engolida pela ETH numa fusão em que a Odebrecht, será sócia majoritária com 65% das ações. Nesse caso, o aporte de capital da Petrobras no negócio seria oportuno para a Odebrecht. reduzir o valor da dívida da companhia recém-nascida e, assim, tentar cumprir a sua meta de se tornar a maior produtora de etanol do mundo até 2012.

Sabendo que o segmento de energia renovável tem passado por um processo intenso de internacionalização, a Petrobras quer garantir a sua parcela de participação no mercado doméstico para frear a expansão de investimentos estrangeiros no etanol brasileiro. Desde o ano passado, a americana Bunge incorporou o Grupo Moema, a francesa Louis Dreyfus adquiriu a Santelisa Vale e a anglo-holandesa Shell propôs a criação de uma joint venture com a Cosan.

“Todo mundo sabe que a Petrobras, ficou mordida com a entrada da Shell, no ramo de biocombustível”, afirma Reichstul. “A estatal não assistirá a consolidação desse setor passivelmente”, completa. Para a Petrobras, estar bem posicionada nesse setor é uma forma de conter o avanço estrangeiro no mercado local e também de se preparar para o possível crescimento do mercado global de etanol. Por isso, a ETH-Brenco acabou se tornando uma peça estratégica.

O surgimento de uma nova companhia produtora de bioenergia veio num momento importante para a estatal, que pretende ampliar a sua carteira de operações em etanol. Desde o ano passado, já está aprovado um orçamento de quase 5 bilhões de reais de investimentos no ramo de produção de energia renovável. O objetivo declarado da Petrobras. é dominar 30% da produção nacional de biocombustível, para evitar problemas como os que têm ocorrido com o desabastecimento devido à quebra da safra de cana-de-açúcar provocada pelo excesso de chuva.

A Petrobras Biocombustível, subsidiária da estatal, nega o processo de negociação com o grupo Odebrecht. Mas a primeira investida da petrolífera no segmento – a compra de 40,4% das ações da usina mineira Total Agroindústria Canavieira no fim do ano passado – mostra o interesse da companhia em estender a sua participação na produção de etanol. Segundo fontes ligadas ao governo, há mais cinco projetos de fusão no setor sucroalcooleiro sendo avaliados pela estatal.

Mas o fator determinante da participação da estatal na ETH-Brenco é o vínculo antigo estabelecido com a Odebrecht. É provável que seja replicado o mesmo modelo de negócio utilizado na aquisição da petrolífera Quattor no começo deste ano. Nessa transação, a Petrobrás ficou com 49% das ações da Quattor, enquanto a Braskem, do grupo Odebrecht, abocanhou 51% da fatia total do bolo.

Dessa mesma forma, a estatal brasileira pretende articular a sua participação ativa na ETH-Brenco, mas sem se tornar sócia majoritária. Se seguir a mesma lógica da Braskem-Quattor, em que durante meses ouviram-se especulações de “agora essa operação sai”, o mercado deverá se preparar para um longo filme de romance, em que o casamento entre ETH e Petrobras, segundo a metáfora de Grubisich, ficará para as cenas finais.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/negocios/petrobras-avalia-entrar-eth-brenco-534172.html?page=1

EUA reconhecem etanol brasileiro como biocombustível avançado

Fábio de Castro – Agência Fapesp – 05/02/2010

Biocombustível Avançado

A Agência Norte-Americana de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) anunciou que o etanol brasileiro de cana-de-açúcar reduz as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 61% em relação à gasolina – o que o caracteriza como um “biocombustível avançado”.

O reconhecimento da EPA abre o mercado norte-americano e mundial para o etanol brasileiro e deverá contribuir para a redução das tarifas de importação impostas ao produto pelo governo dos Estados Unidos.

Mais pesquisas

Segundo os pesquisadores, isso aumenta ainda mais a necessidade de investimentos em pesquisas relacionadas ao biocombustível no Brasil.

“O governo dos Estados Unidos reconheceu algo que já estava bem claro para a comunidade científica. Trata-se de uma excelente notícia para o etanol brasileiro porque a disponibilidade de um biocombustível avançado e comercialmente viável é um elemento importante para a estratégia norte-americana de redução de emissões de GEE [gases de efeito estufa],” disse Luís Augusto Barbosa Cortez, professor Engenharia Agrícola da Unicamp.

“No entanto, a provável abertura do mercado criará uma demanda que só poderá ser suprida se tivermos um grande avanço tecnológico”, complementa ele.

Mais álcool com a mesma cana

Segundo Cortez, a necessidade de aumento da produção poderá ter tal magnitude que somente seria possível de ser realizada com investimentos em pesquisa para o aprimoramento do etanol de primeira geração e para o desenvolvimento da produção de etanol celulósico – que deverá aumentar a produtividade sem expansão da área plantada de cana-de-açúcar.

“Essa boa notícia precisa ser acompanhada de investimentos para que o etanol tenha melhores indicadores, como custo de produção, redução de consumo de fertilizantes, produtividade agroindustrial, condições de trabalho no campo e redução de queimadas. A sustentabilidade do etanol tem que ser considerada em suas dimensões ambientais, sociais e econômicas”, disse.

Consumo mínimo de biocombustíveis

De acordo com avaliação feita pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a decisão da EPA abre o mercado para a entrada de 15 a 40 bilhões de litros de etanol brasileiro nos Estados Unidos até 2022. A nova legislação norte-americana estabelece que o consumo mínimo de biocombustíveis deve ser de mais de 45 bilhões de litros anuais e, até 2022, esse volume deverá ser elevado para até 136 bilhões de litros.

“A decisão não abre o mercado apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, porque a EPA é reconhecida em todos os países e o etanol brasileiro provavelmente ganhará importância nas estratégias de redução de emissões de todos eles”, disse Cortez.

O pesquisador também coordena estudos sobre expansão da produção de etanol no Brasil visando à substituição de 10% da gasolina no mundo em 2025 por etanol de cana-de-açúcar, feitos pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), da Unicamp.

O que é um biocombustível avançado?

Para ser considerado um biocombustível avançado, o etanol deve reduzir as emissões de GEE em pelo menos 40% em relação à gasolina. Artigos científicos indicaram que a redução do etanol brasileiro variava entre 60% e 90%, dependendo da metodologia de estudo. O etanol de milho norte-americano, em comparação, produz redução de cerca de 15%.

“Que eu saiba, por esse critério, não há nenhum outro biocombustível avançado comercialmente viável. O biodiesel europeu, que tem melhor desempenho, proporciona reduções na faixa de 20% a 30%. Os norte-americanos têm esperanças de conseguir essa classificação para o etanol de segunda geração, mas ele ainda não é comercial e quando estiver sendo produzido ainda será muito caro”, afirmou Cortez.

Protecionismo incoerente

O professor da Unicamp explica que o reconhecimento da EPA certamente ajudará a derrubar a tarifa de importação do etanol brasileiro nos Estados Unidos, que está estabelecida até o fim de 2010 em US$ 0,54 por galão.

A tarifa, estabelecida para proteger os produtores de etanol de milho nos Estados Unidos, é considerada um grande obstáculo para o produto brasileiro. Mas, segundo o cientista, o ideal é que elas sejam diminuídas gradativamente, com a criação de tarifas diferenciadas.

“Com essas tarifas eles protegem os fazendeiros, mas não reduzem as emissões o suficiente. Esse protecionismo é incoerente com as estratégias ambientais e deverá ser revisto. Mas é preciso que essa redução aconteça paulatinamente para que a indústria brasileira tenha tempo para se preparar para a imensa demanda que será gerada. Se a redução for repentina, isso poderá levar ao desabastecimento”, disse.

Desproporção

O reconhecimento da EPA do etanol brasileiro como biocombustível avançado não basta para que ele seja integrado à estratégia norte-americana, segundo Cortez.

“Para optar de fato pelo nosso etanol, eles precisarão analisar se o Brasil é um fornecedor seguro. O único jeito de garantir isso é aumentar a produção. Hoje, sabemos que uma simples alta na exportação do açúcar já é capaz de afetar o fornecimento de etanol no Brasil”, afirmou.

Cortez ressalta que hoje os Estados Unidos consomem cerca de 560 bilhões de litros de etanol por ano, enquanto o Brasil consome aproximadamente 40 milhões de litros.

“Se o mercado norte-americano começar a demandar uma quantidade importante como 5 ou 10 bilhões de litros por ano, isso vai afetar significativamente o mercado brasileiro. Esse mercado é muito sensível ao preço do açúcar em nível internacional e ao consumo de álcool em nível interno”, destacou.

Bactérias despontam na produção de biocombustíveis

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Duas pesquisas independentes, que acabam de ser divulgadas nos Estados Unidos, mostram que as bactérias geneticamente modificadas logo poderão ser mais importantes do que as plantas usadas para a produção de biocombustíveis.

Biocombustível perfeito

Pesquisadores da Universidade da Califórnia modificaram geneticamente uma cianobactéria para fazê-la consumir dióxido de carbono e produzir o combustível líquido isobutanol, que tem grande potencial como alternativa à gasolina.

Para completar esse quadro, que até parece bom demais para ser verdade, a reação química para produção do combustível é alimentada diretamente por energia solar, através da fotossíntese.

O processo tem duas vantagens para a meta global de longo prazo de se alcançar uma economia sustentável, que utilize energia mais limpa e menos danosa ao meio ambiente.

Em primeiro lugar, ele recicla o dióxido de carbono, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima dos combustíveis fósseis.

Em segundo lugar, ele usa energia solar para converter o dióxido de carbono em um combustível líquido que pode ser usado na infraestrutura de energia já existente, inclusive na maioria dos automóveis.

Desconstrução da biomassa

As atuais alternativas à gasolina, o que inclui os biocombustíveis derivados de plantas ou de algas, exigem várias etapas intermediárias antes de gerar os combustíveis utilizáveis.

“Esta nova abordagem evita a necessidade de desconstrução da biomassa, quer no caso da biomassa celulósica, quer na biomassa de algas, algo que representa uma grande barreira econômica para a produção de biocombustíveis hoje”, disse o líder da equipa James C. Liao. “Portanto, [nossa biotecnologia] é potencialmente muito mais eficiente e menos dispendiosa do que as abordagens atuais.”

Transformando CO2 em combustível

Usando a cianobactéria Synechoccus elongatus, os pesquisadores primeiro aumentaram geneticamente a quantidade da enzima RuBisCo, uma fixadora de dióxido de carbono. A seguir, eles juntaram genes de outros microrganismos para gerar uma cepa de bactérias que usa dióxido de carbono e luz solar para produzir o gás isobutiraldeído.

O baixo ponto de ebulição e a alta pressão de vapor do gás permitem que ele seja facilmente recolhido do sistema.

As bactérias geneticamente modificadas podem produzir isobutanol diretamente, mas os pesquisadores afirmam que atualmente é mais fácil usar um processo de catálise já existente e relativamente barato para converter o gás isobutiraldeído para isobutanol, assim como para vários outros produtos úteis à base de petróleo.

Segundo os pesquisadores, uma futura usina produtora de biocombustível baseada em suas bactérias geneticamente modificadas poderia ser instalada próxima a usinas que emitem dióxido de carbono – as termelétricas, por exemplo. Isto permitiria que o gás de efeito estufa fosse capturado e reciclado diretamente em combustível líquido. Para que isso se torne uma realidade prática, os pesquisadores precisam aumentar a produtividade das bactérias e diminuir o custo do biorreator.

Bactérias autodestrutivas A equipe da Universidade do Estado do Arizona também usou a genética e as cianobactérias fotossintéticas, mas em uma abordagem diferente.

O grupo do professor Roy Curtiss usou os genes de um bacteriófago – um microrganismo que ataca bactérias – para programar as cianobactérias para se autodestruírem, permitindo a recuperação das gorduras ricas em energia – e dos seus subprodutos, os biocombustíveis.

Segundo Curtiss, as cianobactérias são fáceis de manipular geneticamente e têm um rendimento potencialmente maior do que qualquer planta atualmente utilizada como fonte para os biocombustíveis capazes de substituir a gasolina ou o diesel.

Mas, para realizar esse potencial, é necessário colher as gorduras dos micróbios, o que atualmente exige uma série de reações químicas muito caras.

Otimização

Para fazer as cianobactérias liberarem mais facilmente sua preciosa carga de gorduras, Curtiss e seu colega Xinyao Liu, inseriram nelas os genes dos bacteriófagos, que são controlados pela simples adição de quantidades-traço de níquel no seu meio de cultura.

Os genes dos invasores dissolvem as membranas protetoras das cianobactérias, fazendo-as explodir como um balão, liberando as gorduras.

A solução também não é definitiva, mas os pesquisadores já contam com um financiamento de US$5,2 milhões nos próximos dois anos para otimizar a reação e aumentar seu rendimento.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=bacterias-producao-de-biocombustiveis&id=010115100125&ebol=sim

Grupo nos EUA quer que todo carro vendido no país seja flex

Segunda, 10 de agosto de 2009, 15h56

Fonte: Reuters News

A indústria de etanol dos Estados Unidos pediu que o governo torne obrigatório que todo veículo vendido no país possa rodar com misturas elevadas do biocombustível, como parte da estratégia de combater o aquecimento global e estimular o mercado de trabalho local.

A entidade Growth Energy, que representa a indústria de etanol nos EUA, informou que mais bombas de abastecimento contendo álcool e dutos exclusivos para a distribuição do produto no país também ajudariam na expansão do uso do combustível renovável.

“Nós temos um excesso de capital no momento que poderia ser investido em nossa indústria doméstica de combustíveis como o etanol”, disse Wesley Clark, co-diretor da Growth Energy, em uma teleconferência durante um evento sobre energia renovável em Las Vegas nesta segunda-feira.

“Nós temos trabalhadores desempregados. Adoraríamos colocar essas pessoas para trabalhar na indústria do etanol”.

Ainda que a maior parte do etanol norte-americano seja produzido a partir do milho, o governo do país decretou a mistura de 100 milhões de galões de etanol celulósico na gasolina a partir de 2010.

O etanol celulósico, também chamado de etanol de próxima geração, pode ser feito com materiais não utilizados para alimentação, como restos de madeira, palha e mesmo o bagaço de cana.

Nos EUA, companhias estão competindo para colocar primeiro esse tipo de combustível no mercado, a um custo competitivo.

Os veículos precisariam de pequenas mudanças nos equipamentos para lidar com misturas especiais de combustíveis de até 85% de etanol e 15% de gasolina.

A Growth Energy também está lutando para elevar o limite do nível permitido de etanol na gasolina regular de 10% para 15%.

O setor automotivo alerta que uma mistura tão elevada em carros mais antigos pode não ser boa para o funcionamento do veículo e pediu para as agências reguladoras não aprovarem o aumento da mistura de álcool na gasolina tradicional.

No Brasil, por exemplo, a gasolina recebe acréscimo de 25% de álcool.

A Agência de Proteção Ambiental (APA) tem até 1º de dezembro para decidir se permitirá uma mistura maior de etanol além do E10 na gasolina regular.

Fonte: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200908101856_RTR_1249930564nN10468758&idtel=

Carro flex será só um dos usos do etanol

Combustível conhecido por mover boa parte dos carros do país também já começa a ser usado para fabricar plásticos e para mover motos, ônibus, aviões e até usinas termelétricas

etanol

Por Marcio Orsolini | 07.07.2009 | 08h07

Portal EXAME –

O etanol ainda desponta como a principal fonte de energia renovável no mundo, mas ainda há impasses que impedem a viabilização do combustível como uma mercadoria global. Em 2009, as exportações brasileiras devem cair 20%, para 4 bilhões de litros. Como o país se preparou para um boom de exportações nesta década, há excesso de capacidade instalada, grandes usinas de cana-de-açúcar em dificuldade, atraso no pagamento de fornecedores e muitas fusões e aquisições à vista.

A expectativa para o etanol no mercado interno, entretanto, é bem melhor. A quebra da safra de açúcar na Índia deve elevar os preços. Com isso, os usineiros brasileiros aumentarão a produção de açúcar e reduzirão a de etanol – beneficiando também os preços do combustível. No longo prazo, porém, o setor aposta nas exportações e também no desenvolvimento de novos usos para o etanol no mercado interno.

O setor de transporte é o que mais apresenta possibilidades de inovação. Hoje o país conta com cerca de 37 mil postos de abastecimento com ao menos uma bomba de etanol e 97% dos automóveis produzidos permitem o uso desse combustível. Os modelos flex fluel somarão 75% da frota em 2020. Mas aos poucos outros segmentos se rendem ao uso do etanol. Veja abaixo cinco novos usos do combustível:

Geração de energia
A principal novidade sobre o uso do etanol é uma iniciativa da Petrobras. No fim de junho, a empresa brasileira anunciou que iniciará em dezembro testes com o uso do combustível renovável em sua termoelétrica localizada em Juiz de Fora, Minas Gerais, para geração de energia. Será a primeira do mundo a apostar nessa tecnologia. A unidade – adquirida pela Petrobras em 2007 – é movida a gás e passa por um processo de conversão desde abril.

Para o projeto, foram destinados 11 milhões de reais na troca dos equipamentos que permitem o recebimento, o armazenamento e a movimentação do etanol. Por enquanto, apenas uma das duas turbinas em operação na termoelétrica vai funcionar com a nova tecnologia. Sozinha, ela deve gerar cerca de 42 megawatts de potência, o suficiente para abastecer uma cidade de 800.000 habitantes. O projeto de conversão de térmicas da empresa de gás natural para etanol começou a ser desenhado há dois anos pelo setor de abastecimento da Petrobras, que visava exportar etanol para o Japão utilizar em usinas térmicas.

“Plástico verde”
Um dos grandes vilões combatidos cada vez mais pelos ambientalistas é o plástico. Só no Brasil foram produzidos 5,14 milhões de toneladas de plástico em 2008 – 17,5% no setor alimentício, 15,6% na construção civil (PVC para tubos e conexões) e 14,5% em embalagens. Para a produção dessa quantidade de plástico foram necessários 36 milhões de barris de petróleo.

Para diminuir as emissões da queima de combustíveis fósseis utilizados na fabricação do material, a petroquímica brasileira Braskem, do grupo Odebrecht, surpreendeu quando começou a desenvolver um plástico com o etanol da cana-de-açúcar há dois anos. “O principal motivo é uma demanda crescente de mercado por materiais sustentáveis”, diz Antônio Queiroz, diretor de competitividade e inovação da Braskem. A empresa já tem parceria com a marca de brinquedos Estrela.

O “plástico verde” é um polietileno de alta densidade – uma das resinas mais utilizadas em embalagens flexíveis. “Com o etanol, o nível de impurezas mais baixo melhora o processo de polimerização”, explica Antônio. Apesar de haver um custo 30% maior na produção do novo plástico, a empresa espera, no longo prazo, recuperar os investimentos feitos agora.

A produção comercial do produto em escala industrial está prevista para o final de 2010, quando a planta industrial em Triunfo, Rio Grande do Sul, produzirá 200 mil toneladas por ano. A planta terá 500 milhões de reais em investimentos. A empresa também está desenvolvendo tecnologia para a produção de polipropileno a partir do etanol, que deve chegar ao mercado nos próximos três anos. O plástico rígido é largamento utilizado na indústria automobilística para a fabricação de parachoques e painéis.

Ônibus
A capital paulista conta com uma frota de quase 42 000 ônibus movidos a gasolina e diesel, responsáveis pela emissão de toneladas de gás carbônico. Mas isso pode mudar em breve. São Paulo será a primeira cidade a ter uma frota de ônibus movidos a etanol. Hoje, a cidade conta com apenas um veículo movido a etanol, homologado pela EMTU, que circula desde dezembro de 2007. Ele trafega no corredor entre os bairros de Jabaquara e São Mateus, que tem 33 quilômetros de extensão e transporta seis milhões de passageiros por mês. O segundo veículo começará a circular em agosto, pela SPTrans numa linha da Avenida Paulista, na região central da cidade.

“Outros estados como Recife e Rio de Janeiro já mostraram interesse pelo projeto”, diz a engenheira Silvia Velázques, integrante da equipe do Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), da Universidade de São Paulo, onde o projeto é testado desde 2005. Segundo ela, a prefeitura de São Paulo está cada vez mais envolvida nas negociações para ampliar a frota. A Cetesb e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente concordaram recentemente em realizar os testes de emissão e acompanhar o desenvolvimento do projeto.

A iniciativa faz parte do projeto Best – BioEtanol para o Transporte Sustentável – da União Europeia, coordenado pela prefeitura de Estocolmo, que destinou cerca de 230 mil reais para o projeto no Brasil. Além de São Paulo, pioneira nas Américas, o projeto funciona em outras locais: Estocolmo (Suécia), Madri e País Basco (Espanha), Roterdã (Holanda), La Spezia (Itália), Somerset (Reino Unido), Nanyang (China), Dublin (Irlanda).

Há dois anos o Cenbio firmou parceria com a Scania Latin América que importou o chassi e o motor da Suécia, com a Marcopolo que projetou o veículo e forneceu a carroceria, e com a Unica que fornece o etanol. A ideia, no entanto, é trazer a produção para a unidade brasileira da Scania.

O principal fator que levou a implantação do projeto na capital é a preservação do meio ambiente. De acordo com o Cenbio, o motor do novo ônibus reduz em 92% a de monóxido de carbono, e em até 100% a de óxido de enxofre e dióxido de carbono – um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Além disso, a Câmara de São Paulo aprovou no início de junho a Política Municipal de Mudanças Climáticas, que estabelece como meta para 2012 a redução de 30% das emissões de gases de efeito estufa na cidade, o que incentivará o uso do transporte coletivo, entre outras medidas.

O principal problema é que o custo de operação do ônibus movido a álcool calculado pelo Cenbio é 6% a 7% mais alto do que os veículos que usam diesel. Essa variação ocorre porque, apesar de o etanol ser em torno de 50% mais barato (sem considerar a inclusão de aditivos), o consumo do combustível renovável nesse tipo de ônibus é cerca de 60% maior em relação ao derivado de petróleo. “O próximo passo é trabalhar para conseguir reduzir essa diferença de consumo, o que deixa mais caro o custo de operação”, diz Silvia.

Etanol para duas rodas
Os carros flex não serão mais os únicos a contar com a tecnologia que permite optar entre gasolina e álcool. Agora, a frota de 11,6 milhões de motos no país também poderá ser substituída por modelos flex. A montadora japonesa Honda, líder no mercado brasileiro de motocicletas, lançou em março a primeira moto bicombustível do mundo. O desenvolvimento da CG 150 Titan Mix, voltada para o mercado brasileiro, acompanha a estratégia mundial da Honda voltada para a preservação do meio ambiente, com a criação de novas tecnologias ecologicamente responsáveis. A disponibilidade do etanol em todo o território nacional e a aceitação do público com os modelos flex foram fatores decisivos no desenvolvimento do novo modelo. As pesquisas, realizadas entre 2006 e 2009, foram uma parceria entre as unidades da Honda no Brasil e no Japão. A finalização do projeto aconteceu do Brasil, com o apoio da equipe brasileira.

De acordo com pesquisas realizadas pela montadora com proprietários da CG 150 Titan, a maioria dos entrevistados compraria uma motocicleta bicombustível. Entre as vantagens citadas pelos usuários, as principais são a possibilidade de escolha do combustível e a economia de dinheiro. A moto flex custa 300 reais a mais que a versão gasolina, mas o proprietário economizaria cerca de 1 000 reais por ano abastecendo com álcool. Por isso outros fabricantes poderiam seguir a tendência da Honda. Desde o lançamento em março, foram vendidas 53 547 motos flex e a montadora espera fechar o ano com vendas de 164 000 unidades.

A Honda, que não divulgou a quantia investida no projeto, disse que o custo de produção é maior devido à presença de oito itens específicos não presentes na versão a gasolina como bico de injeção com mais furos, gerador mais potente, bomba de combustível com tratamento anti-corrosão e tela anti-chama no tanque.

Voando a álcool
Nem as aeronaves escaparam do uso do etanol como combustível. Porém, a utilização para voos transatlânticos ainda está distante. O que se tem hoje é um uso em larga escala na agricultura. O mercado de aviação agrícola brasileiro é o segundo maior do mundo e cerca de 75% da frota de aeronaves é do modelo Ipanema – desenvolvido há 37 anos pela Neiva, subsidiária da Embraer localizada no município de Botucatu, no interior de São Paulo. Do total de 1.000 unidades da aeronave em operação, 257 são movidas a etanol.

A ideia surgiu por conta de uma demanda de mercado por combustíveis renováveis. O modelo movido a etanol começou a ser planejado em 2002 e foi concluído dois anos depois. A Ipanema é a primeira aeronave do mundo certificada para voar com etanol. A equipe técnica da Neiva também converte o motor das aeronaves movidas a diesel para o etanol – já são 183 convertidas. A Embraer espera entregar até o final do ano mais 32 modelos – cada unidade avaliada em 642 000 reais – e 30 kits de conversão.

Além de ser utilizada na indústria agrícola, principalmente na pulverização de defensivos, a Ipanema também pode ser usado no combate a incêndios e a vetores e larvas. O menor preço do álcool reduz os custos de operação e manutenção e tem um impacto muito menor sobre o meio ambiente. O motor movido a álcool permite um aumento de cerca de 5% na potência, melhorando o desempenho geral do avião.

A grande desvantagem do avião da Embraer é que o volume de etanol consumido é muito superior ao do querosene de aviação. Ficaria inviável construir um tanque maior para compensar a diferença. “Ainda é preciso desenvolver tecnologias para voos mais longos. Em grandes altitudes o etanol pode congelar e há também a baixa autonomia do combustível”, diz Almir Borges, diretor da unidade de Botucatu da Embraer.

O Ipanema, de apenas 7,43 metros de comprimento, pode voar numa altitude de até 1.800 metros. O tanque de 264 litros permite apenas uma viagem de pouco mais de duas horas. O Airbus, modelo mais utilizado para viagens transatlânticas, tem capacidade de voar por quase 12 horas antes de precisar abastecer. Porém, a tecnologia do Ipanema já é um passo de aprimoramento. Resta saber quando haverá tecnologia para permitir que grandes aeronaves utilizem o etanol em voos de grande distância.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/economia/carro-flex-sera-so-usos-etanol-480948.html

Etanol pode crescer nos EUA apesar de tarifas, diz Clinton

CLINTON
Em visita ao Brasil, ex-presidente dos Estados Unidos fala sobre biocombustíveis

As tarifas de importação podem deixar de ser um empecilho para a entrada do etanol brasileiro nos Estados Unidos, caso o governo americano acelere as restrições à emissão de gases causadores do efeito estufa nos próximos anos, disse o ex-presidente do país, Bill Clinton, em palestra em São Paulo. Para ele, mesmo que as tarifas se mantenham no patamar atual estados como a Califórnia podem se ver obrigados a importar o combustível se quiserem alcançar as metas de diminuição do impacto sobre o aquecimento global.

No Brasil, a participação do álcool no mercado de combutíveis deverá chegar a 75% até 2020, pelos cálculos do presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli.

Fonte: Informe semanal EXAME 05/06/09