Archive for the ‘Sem-categoria’ Category

BIODIGESTOR: ENERGIA QUE “LIMPA” O LIXO

Matéria_Minas faz Ciência nov2011

Anúncios

Methanum

Espuma de sapo transforma energia solar em biocombustíveis e alimentos

Redação do Site Inovação Tecnológica – 22/03/2010

”]Cientistas da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, inspiraram-se em um pequeno sapo existente nas Américas Central e Sul, para criar uma espuma que capta energia, pode produzir biocombustíveis ou alimentos, e ainda remove o excesso de dióxido de carbono do ar.

Fotossíntese artificial

A pesquisa é mais uma em uma lista cada vez maior do campo chamado fotossíntese artificial, na qual os cientistas estão tentando imitar a forma como as plantas captam a luz solar para produzir sua própria energia.

Na fotossíntese natural, as plantas absorvem a energia do Sol e o dióxido de carbono da atmosfera, e os convertem em oxigênio e em açúcares. O oxigênio é liberado para o ar e os açúcares são usados como fonte de energia que mantém a planta viva.

Os cientistas, por sua vez, estão encontrando formas de aproveitar a energia do sol e o carbono do ar para criar novas formas de biocombustíveis, que poderão alimentar nossos automóveis.

Espuma de sapo

O trabalho resultou na fabricação de um material fotossintético artificial que utiliza enzimas de plantas, bactérias e fungos, tudo acomodado no interior de um invólucro de espuma. Exposta à luz do Sol e ao carbono da atmosfera, a espuma gera açúcares.

A espuma é uma escolha natural: além de concentrar os reagentes, o material poroso permite uma boa penetração do ar e da luz solar.

O projeto da espuma baseou-se nos ninhos de uma pequena rãzinha tropical (Physalaemus pustulosus), que cria espumas para seus girinos que apresentam uma durabilidade incrivelmente longa. Uma proteína produzida pela rã, a Ranaspumina-2, foi utilizada como base da espuma artificial.

Melhor do que plantas e algas

“A vantagem do nosso sistema, em comparação com as plantas e as algas, é que toda a energia solar captada é convertida em açúcares livres, enquanto esses organismos precisam desviar uma grande quantidade de energia para outras funções, para manter sua vida e se reproduzir,” diz o Dr. David Wendell, que coordenou a pesquisa, referindo-se à energia líquida disponível que pode ser aproveitada a partir das plantas já crescidas para sua posterior transformação em biocombustíveis.

“Nossa espuma também não precisa do solo, não afetando a produção de alimentos, e pode ser utilizada em ambientes com alta concentração de dióxido de carbono, como nas chaminés das centrais elétricas a carvão,” diz ele, ressaltando que dióxido de carbono em excesso paralisa a fotossíntese natural.

Biocombustível ou alimento

O produto da “espuma fotossintética”, os açúcares, pode ser utilizado como insumo para uma grande variedade de produtos, incluindo o etanol e outros biocombustíveis. Mas nada impede que o material seja utilizado também para produzir alimentos.

“Esta nova tecnologia cria uma forma econômica de utilizar a fisiologia dos sistemas vivos, criando uma nova geração de materiais funcionais que incorporam intrinsecamente processos de vida em sua estrutura”, diz Dean Montemagno, coautor da pesquisa, acrescentando que o novo processo iguala ou supera outras técnicas de produção biossolar.

Larga escala

O próximo passo da equipe será tornar a tecnologia adequada para aplicações em grande escala, como a captura de carbono nas usinas a carvão.

“Isto envolve o desenvolvimento de uma estratégia para extrair a cobertura de lipídios das algas (usada para o biodiesel) e os conteúdos citoplasmáticos, e reutilizar essas proteínas na espuma”, afirma Wendell. “Estamos também estudando outras moléculas de carbono mais curtas que podemos produzir alterando o coquetel de enzimas na espuma.”

Bibliografia:

Artificial Photosynthesis in Ranaspumin-2 Based Foam
David Wendell, Jacob Todd, Dean Carlo Montemagno
Nano Letters
March 5, 2010
Vol.: Article ASAP
DOI: 10.1021/nl100550k

Em busca do Google verde

Por que investidores como o indiano Vinod Khosla consideram o mercado de energias renováveis o mais promissor do século 21 – e como eles pretendem ganhar bilhões com isso

 

O indiano Vinod Khosla: Meio bilhão de dólares do próprio bolso para empresas verdes

Por Tiago Lethbridge, de Nova York | 21.01.2010 | 10h58

O indiano Vinod Khosla não acumulou um patrimônio superior a 1 bilhão de dólares fazendo apostas erradas. Nascido em Nova Délhi há 54 anos, Khosla se tornou um dos mais celebrados investidores do Vale do Silício, um especialista em descobrir, dentre milhares de empresas em gestação, aquelas que serão as gigantes da década seguinte. Ele foi escolhido pela revista Fortune o mais bem-sucedido investidor de risco da história. Nos últimos anos, Khosla partiu para aquela que é a sua mais ousada empreitada – decidiu apostar, e apostar pesado, em empresas verdes. Estima-se que Khosla tenha tirado mais de meio bilhão de dólares do próprio bolso para financiar empreendedores e suas ideias aparentemente malucas para diminuir o consumo de energia ou encontrar substitutos limpos para o petróleo. A lista é enorme: são dezenas de empresas. Não se deve, no entanto, confundir o investidor indiano com um bilionário ambientalista excêntrico que joga dinheiro fora. Pelo contrário. A ideia de Khosla é multiplicar a própria fortuna no processo. Como ele costuma dizer, a solução de problemas gigantescos requer “uma pitada de ganância”. E, para Khosla, o setor de energias renováveis é o lugar certo para quem quer ganhar dinheiro no século 21. “Essas empresas valerão centenas de bilhões de dólares num futuro muito próximo”, disse Khosla a EXAME.

Nos últimos dois anos, dezenas de investidores e centenas de empreendedores se juntaram a Khosla na busca pelo Google da energia verde – a empresa que transformará o mundo da energia como o Google mudou a internet e a Microsoft, a computação pessoal. Em 2009, a energia limpa foi o setor que mais atraiu dinheiro dos fundos de venture capital americanos, aqueles que financiam empresas em seus estágios iniciais de desenvolvimento. Por trás desse fenômeno estão os mesmos investidores que catapultaram as maiores empresas de tecnologia do mundo. Entre eles, por exemplo, está John Doerr, do fundo Kleiner Perkins, conhecido por ter feito apostas certeiras em empresas como Google e Amazon. Nos últimos dois anos, fundos como os de Khosla e Doerr investiram mais de 14 bilhões de dólares em empresas de energia limpa – e, após uma queda acentuada no primeiro trimestre de 2009, os números voltaram a crescer a partir da segunda metade do ano. Foram mais de 1 000 negócios no total. Até mesmo Warren Buffett, o segundo homem mais rico do mundo, decidiu separar 230 milhões de dólares para fazer sua aposta na chinesa BYD, fabricante de carros elétricos. “As oportunidades são enormes”, afirma Dallas Kachan, diretor da empresa de pesquisas Cleantech Group. “Há cinco anos, a energia limpa atraía apenas 3% dos investimentos de fundos de venture capital. Hoje, são 25%.”

Nenhum desses investidores, no entanto, tem a agressividade de Vinod Khosla. Seu envolvimento com o setor começou no início da década, quando ainda era sócio de Doerr no Kleiner Perkins. Surgiu, então, um problema. Khosla queria investir em empresas com tecnologias incipientes, mas revolucionárias. E era impossível fazer isso num fundo tradicional, que usa dinheiro dos outros. Em 2004, ele deixou o Kleiner e fundou a Khosla Ventures. Com o próprio dinheiro, claro, ele poderia fazer o que bem entendesse. Khosla começou, então, a investir em algumas ideias consideradas – por ele mesmo – “loucas, mas que podem transformar mercados inteiros se derem certo”. Entre elas, por exemplo, está uma tecnologia para a fabricação de cimento que, em vez de emitir, sequestra carbono. Segundo Khosla, a Calera, fundada por um cientista de Stanford, tem 10% de chance de dar um retorno de 100 vezes para o investimento, e 90% de chance de quebrar. “Aceitamos esse risco”, diz Khosla. Hoje, seu fundo tem investimentos relevantes em 35 empresas do setor. Em setembro do ano passado, quando a energia limpa já estava na moda, levantou mais de 1 bilhão de dólares com investidores para criar dois fundos dedicados a comprar participações em empresas de energia limpa. O maior deles procurará projetos mais maduros. Com o outro, estimado em 300 milhões de dólares, a meta é continuar financiando ideias que ninguém tem coragem de apoiar.

Por que esse setor vem atraindo tanto dinheiro? O que motiva Khosla e investidores como ele é a certeza de que só a tecnologia pode combater a escassez de recursos naturais num século em que a população mundial pode chegar a 9 bilhões de pessoas. “A demanda por energia e recursos naturais vai aumentar muito, particularmente nos países emergentes”, diz Joe Muscat, diretor da consultoria Ernst&Young. “E novas tecnologias serão necessárias para atender essa explosão na demanda.” Claro, o aumento da preocupação dos governos com o aquecimento global também está impulsionando novos investimentos privados. Nos Estados Unidos, governos estaduais estabeleceram metas para a produção de energias renováveis, e o governo de Barack Obama fez empréstimos vultosos a algumas das empresas mais conhecidas do setor. A montadora de carros elétricos Tesla, por exemplo, obteve um financiamento de quase meio bilhão de dólares para produzir um sedã na Califórnia. O mesmo aconteceu com fabricantes de baterias, por exemplo.

A busca pelo Google verde é global, e os Estados Unidos não saíram na frente. Na primeira onda, amplamente impulsionada por incentivos estatais, países como Alemanha e, mais recentemente, a China, se destacaram. Das cinco maiores fabricantes de turbinas de energia eólica, apenas uma é americana – a General Electric. O país também é uma força menor em setores como energia solar e produção de baterias. Mas a esperança dos investidores é que as grandes rupturas tecnológicas – que, como preza Khosla, podem transformar setores inteiros sem depender da muleta estatal – surjam nos Estados Unidos. Os centros de pesquisa de universidades americanas como o Massachusets Institute of Technology (MIT) ou Stanford são o maior nascedouro de empresas de energia limpa de alta tecnologia. A Amyris, considerada uma das mais promissoras fabricantes de biocombustíveis do mundo, nasceu no laboratório de microbiologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Um grupo de estudantes de Ph.D. desenvolveu uma bactéria que produzia uma droga para a malária. “Em 2006, percebemos que a mesma tecnologia poderia ser usada para produzir combustíveis”, diz Jack Newman, um dos fundadores da Amyris, que já recebeu mais de 150 milhões de dólares de investidores como Khosla e Doerr. Os micróbios da Amyris usam o açúcar para produzir um biocombustível que, segundo a empresa, é muito semelhante ao petróleo. A empresa já fez parcerias com as principais usinas de açúcar e álcool brasileiras, como São Martinho e Cosan. “Vamos começar a vender diesel em 2011”, diz Newman.

A substituição do petróleo por biocombustíveis mais baratos e menos poluentes é considerada a empreitada com mais chances de gerar retornos bilionários. Não chega a surpreender que as grandes empresas petrolíferas estejam entre os principais investidores nesse segmento. Fundada por pesquisadores de Harvard e Berkeley, a californiana LS9 produz um biodiesel 85% menos poluente que o diesel comum e recebeu investimentos da americana Chevron em 2009. A anglo- holandesa Shell tem acordos com cerca de 70 empresas de energia alternativa. Finalmente, a americana Exxon anunciou no ano passado um dos maiores investimentos da história da energia limpa. A empresa vai investir até 600 milhões de dólares na Synthetic Genomics, empresa do cientista americano Craig Venter, que desenvolve uma tecnologia de produção de combustíveis de algas. Venter, considerado um dos homens mais influentes do mundo pela revista Time, ganhou fama mundial em sua corrida para decodificar o genoma humano. E acha que o dono do Google verde será ele mesmo. Sua pesquisa é, realmente, fascinante. As algas desenvolvidas por seu time de cientistas produzem combustíveis consumindo dióxido de carbono e luz solar. Segundo Venter, a tecnologia será viável comercialmente dentro de cinco a dez anos. O objetivo da Synthetic Genomics é “substituir a indústria petroquímica”.

Por que esse setor vem atraindo tanto dinheiro? O que motiva Khosla e investidores como ele é a certeza de que só a tecnologia pode combater a escassez de recursos naturais num século em que a população mundial pode chegar a 9 bilhões de pessoas. “A demanda por energia e recursos naturais vai aumentar muito, particularmente nos países emergentes”, diz Joe Muscat, diretor da consultoria Ernst&Young. “E novas tecnologias serão necessárias para atender essa explosão na demanda.” Claro, o aumento da preocupação dos governos com o aquecimento global também está impulsionando novos investimentos privados. Nos Estados Unidos, governos estaduais estabeleceram metas para a produção de energias renováveis, e o governo de Barack Obama fez empréstimos vultosos a algumas das empresas mais conhecidas do setor. A montadora de carros elétricos Tesla, por exemplo, obteve um financiamento de quase meio bilhão de dólares para produzir um sedã na Califórnia. O mesmo aconteceu com fabricantes de baterias, por exemplo.

A busca pelo Google verde é global, e os Estados Unidos não saíram na frente. Na primeira onda, amplamente impulsionada por incentivos estatais, países como Alemanha e, mais recentemente, a China, se destacaram. Das cinco maiores fabricantes de turbinas de energia eólica, apenas uma é americana – a General Electric. O país também é uma força menor em setores como energia solar e produção de baterias. Mas a esperança dos investidores é que as grandes rupturas tecnológicas – que, como preza Khosla, podem transformar setores inteiros sem depender da muleta estatal – surjam nos Estados Unidos. Os centros de pesquisa de universidades americanas como o Massachusets Institute of Technology (MIT) ou Stanford são o maior nascedouro de empresas de energia limpa de alta tecnologia. A Amyris, considerada uma das mais promissoras fabricantes de biocombustíveis do mundo, nasceu no laboratório de microbiologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Um grupo de estudantes de Ph.D. desenvolveu uma bactéria que produzia uma droga para a malária. “Em 2006, percebemos que a mesma tecnologia poderia ser usada para produzir combustíveis”, diz Jack Newman, um dos fundadores da Amyris, que já recebeu mais de 150 milhões de dólares de investidores como Khosla e Doerr. Os micróbios da Amyris usam o açúcar para produzir um biocombustível que, segundo a empresa, é muito semelhante ao petróleo. A empresa já fez parcerias com as principais usinas de açúcar e álcool brasileiras, como São Martinho e Cosan. “Vamos começar a vender diesel em 2011”, diz Newman.

A substituição do petróleo por biocombustíveis mais baratos e menos poluentes é considerada a empreitada com mais chances de gerar retornos bilionários. Não chega a surpreender que as grandes empresas petrolíferas estejam entre os principais investidores nesse segmento. Fundada por pesquisadores de Harvard e Berkeley, a californiana LS9 produz um biodiesel 85% menos poluente que o diesel comum e recebeu investimentos da americana Chevron em 2009. A anglo- holandesa Shell tem acordos com cerca de 70 empresas de energia alternativa. Finalmente, a americana Exxon anunciou no ano passado um dos maiores investimentos da história da energia limpa. A empresa vai investir até 600 milhões de dólares na Synthetic Genomics, empresa do cientista americano Craig Venter, que desenvolve uma tecnologia de produção de combustíveis de algas. Venter, considerado um dos homens mais influentes do mundo pela revista Time, ganhou fama mundial em sua corrida para decodificar o genoma humano. E acha que o dono do Google verde será ele mesmo. Sua pesquisa é, realmente, fascinante. As algas desenvolvidas por seu time de cientistas produzem combustíveis consumindo dióxido de carbono e luz solar. Segundo Venter, a tecnologia será viável comercialmente dentro de cinco a dez anos. O objetivo da Synthetic Genomics é “substituir a indústria petroquímica”.

Do genoma à gasolina

O cientista Craig Venter quer substituir o petróleo por um combustível produzido por algas geneticamente modificadas

O americano Craig Venter, cientista- celebridade que liderou a decodificação do genoma humano no fim dos anos 90, tornou-se um dos mais destacados empresários da energia limpa. Ele pretende usar algas geneticamente modificadas para produzir um combustível que poderá entrar diretamente nas refinarias existentes hoje. Parece coisa de maluco, mas a petrolífera americana Exxon anunciou no ano passado um investimento de 600 milhões de dólares na empresa de Venter, a Synthetic Genomics. Venter falou a EXAME sobre sua nova meta – substituir a indústria petroquímica. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Como o seu trabalho anterior com o genoma o levou aos biocombustíveis? Há quatro anos, eu me perguntei onde estavam os maiores problemas do planeta, e como a biologia poderia ajudar a resolvê-los. Não demorei a chegar no meio ambiente. E, com as ferramentas de genômica que já conhecíamos, a melhor aplicação parecia ser o desenvolvimento de biocombustíveis para diminuir nossa dependência de petróleo.

Como é possível fazer um combustível equivalente ao petróleo usando algas? Tudo é baseado no trabalho que desenvolvemos ao aprender a escrever o código genético. O avanço com algas foi significativo. Estamos mudando o código genético das algas para que seu metabolismo produza combustíveis. E o que é melhor: elas usam carbono e luz solar para isso.

A Exxon vai investir 600 milhões de dólares nesse projeto. Quais são os próximos passos? Precisamos aumentar a eficiência das algas, sua produtividade, encontrar algas que resistam a baixas temperaturas e pouca luz. Será muito difícil. Ninguém fez nada parecido antes. É preciso, finalmente, encontrar um combustível economicamente viável. Mas produziremos um combustível que pode entrar numa refinaria existente hoje e ser transformado num produto idêntico à gasolina, ao diesel e ao combustível de aviação atuais.

Quanto tempo levará até que isso aconteça? Faltam entre cinco e dez anos. Para tornar esse combustível viável comercialmente, precisamos de escala. É necessário produzir bilhões de litros por ano.

Combustíveis feitos de algas são uma resposta melhor ao problema do que o etanol, por exemplo? O etanol de cana de açúcar é excelente, e o Brasil fez um trabalho fantástico. Mas o etanol não é um bom substituto do petróleo. Outros combustíveis feitos do açúcar poderão usar as mesmas refinarias existentes hoje, o que não acontece com o etanol. Essas são opções importantes também. A verdade é que vamos precisar de todas as soluções possíveis.

O senhor afirmou que pretende substituir a indústria petroquímica. E não estava brincando. Esse, aliás, tem de ser o objetivo da sociedade, não apenas o meu. Claro que isso vai levar 30 ou 40 anos, sendo bastante realista.

O que é mais desafiador, o genoma ou encontrar um substituto para o petróleo? Bem, eu achava o sequenciamento do genoma um enorme desafio à época. Mas é menor do que trabalhar para ver o mundo livre do petróleo. Todos nós crescemos dependentes de combustíveis fósseis. Será um desafio enorme encontrar uma solução economicamente viável, e na escala necessária. A ciência e a engenharia nunca enfrentaram um desafio dessas dimensões. Mas é um objetivo viável.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br//revista/exame/edicoes/0960/especiais/busca-google-verde-527747.html?page=1

Uma luta cara e inevitável

Autoridade mundial em meio ambiente, economista inglês propõe um plano de 1 trilhão de dólares por ano para cortar emissões de CO2 e investir em energia limpa – tudo para conter os riscos do aquecimento global
 

Por Angela Pimenta | 14.05.2009 | 00h01
livrosustentabilidade

Revista EXAME –

Em 2006, ao lançar o Relatório Stern, um estudo encomendado pelo governo britânico para medir os impactos do aquecimento global, o economista Nicholas Stern passou a integrar o clube das celebridades verdes, formado por nomes como os políticos americanos Al Gore e Arnold Schwarzenegger e o economista indiano Rajendra Pachauri, diretor do IPCC, o painel das Nações Unidas para o clima. Hoje um marco na literatura científica, o documento com mais de 700 páginas e um jargão impenetrável para o grande público trazia constatações sombrias e propunha um plano de ação global. Ao consolidar trabalhos das mais prestigiadas instituições de pesquisa do planeta, o relatório demonstrava que o acúmulo de gás carbônico é a principal causa do aquecimento terrestre. O texto apontava também que, se as emissões de CO2 continuassem a crescer no ritmo das últimas décadas, o planeta correria sérios riscos de sofrer tragédias ambientais de proporções bíblicas: secas, inundações, furacões e epidemias – deixando um rastro de terra arrasada e o potencial para a criação de multidões de flagelados brigando por recursos cada vez mais escassos, como casa, comida e água limpa. No pior cenário traçado por Stern, até 2050 as perdas econômicas do aquecimento global poderiam custar até 20% do PIB mundial – ou 10 trilhões de dólares, num cálculo que leva em consideração os dados de 2009. Agora, resumido e adaptado para o público leigo, o relatório acaba de dar origem ao livro A Blueprint for a Safer Planet – How to Manage Climate Change and Create a New Era of Progress and Prosperity (em português, “Um projeto para um planeta mais seguro – Como administrar a mudança climática e criar uma nova era de progresso e prosperidade”, sem previsão de lançamento no Brasil).

ciclo%20do%20carbonoEx-economista-chefe do Banco Mundial especializado em questões de desenvolvimento, Stern insiste cada vez mais numa estratégia radical e imediata. Sua meta é cortar 50% das emissões globais de CO2 até o ano de 2050, sendo que as primeiras reduções já seriam cobradas dos países a partir de 2020. As reduções defendidas por ele usam como parâmetro os níveis de emissão de carbono do ano de 1990. De acordo com Stern, para alcançar a meta prevista para 2050, o mundo precisaria investir anualmente 2% do PIB mundial, ou cerca de 1 trilhão de dólares, em pesquisa e desenvolvimento de matrizes energéticas limpas, como energia eólica, solar, células elétricas, além de novas gerações de biocombustíveis. Desde 2006, a principal mudança de opinião de Stern em relação às conclusões do relatório está justamente no preço da faxina. Há três anos, ele defendia um investimento de 1% do PIB global. “As mais recentes evidências científicas apontam para riscos de tamanha magnitude, que os custos da ação global tiveram de dobrar”, disse ele recentemente ao jornal canadense The Globe and Mail.

Em tempos de crise global, uma fatura anual de 1 trilhão de dólares, equivalente a 75% do PIB brasileiro, não é palatável nem para os governos nem para o setor privado. Críticos como o economista William Nordhaus, da Universidade Yale, dizem que Stern exagera quanto aos riscos de uma tragédia climática no médio prazo e que a prioridade atual deve ser o combate à crise econômica. De sua parte, Stern, que tem o apoio da maioria da comunidade científica mundial, usa o clássico princípio da precaução. Em face de riscos crescentes, é melhor agir com cautela e proatividade. “Há quem diga que o combate à mudança climática deva ser adiado. Mas esse argumento vem de quem não quer agir de modo algum e usa a crise como desculpa”, diz ele. Para reforçar a necessidade desse investimento premente, ele aponta, por exemplo, para o aumento dos furacões e das chuvas torrenciais nas grandes cidades – que já causa um impacto considerável na indústria de seguros. Em 1970, os prêmios pagos por danos meteorológicos eram de 5 bilhões de dólares. Hoje, chegam a 34 bilhões de dólares em termos reais.

creditos%20de%20carbonoOtimista em relação à próxima conferência das Nações Unidas sobre o clima, marcada para Copenhague no próximo mês de dezembro, Stern avalia que o evento será “a mais importante reunião multilateral desde o fim da Segunda Guerra Mundial”. Simpático às diretrizes pró-meio ambiente estabelecidas pelo presidente americano Barack Obama, ele acredita num entendimento entre a China e os Estados Unidos nesse campo. “Um acordo entre os dois países será crítico para a redução necessária das emissões em escala mundial”, afirma. Apesar de se referir apenas rapidamente ao Brasil, Stern enfatiza a percepção já vigente entre os países desenvolvidos de que o desmatamento da Amazônia é o grande enrosco da política ambiental tupiniquim. Ele acredita que a pressão internacional para que o Brasil cumpra as metas de redução do desmatamento definidas pelo governo brasileiro em 2008 tenderá a crescer. “A China ultrapassou os Estados Unidos como o maior produtor mundial de gases estufa. A Indonésia e o Brasil são hoje o terceiro e o quarto maiores emissores, principalmente em razão do desmatamento e das queimadas”, afirma o pesquisador.

carbon%20bubble%20excerptCiente da gravidade que a poluição representa para seu futuro, a China tem mostrado disposição em investir na energia limpa. Stern menciona que a cidade de Dongtan, uma ilha na vizinhança de Xangai, trabalha arduamente para se tornar a comunidade mais ecoeficiente do planeta até 2020, produzindo energia solar e eólica e fazendo investimentos pesados em transporte público e em ciclovias. Segundo dados do jornal inglês Financial Times, a China deve investir mais de 220 bilhões de dólares – 40% dos recursos de seu pacote de estímulo econômico – em tecnologia ambiental nos próximos anos. Quanto aos países ricos, até agora os grandes vilões do aquecimento global, Stern propõe que eles paguem a maior parte da conta, seja por meio de ajuda financeira ou cooperação tecnológica com os mais pobres. A fim de dar o exemplo, Stern defende ainda que os Estados Unidos e a União Europeia cortem as emissões mais rapidamente, limitando-as em 80% até 2050. Do ponto de vista da teoria econômica, Stern faz uma análise singular da mudança climática. Para ele, trata-se do maior fiasco da história do sistema capitalista. “O pior fracasso do mercado se deu na precificação do petróleo”, diz. “Por não refletir os custos econômicos, sociais e ambientais do aquecimento global, o petróleo se mantém em preços artificialmente baixos.” A expectativa é que em dezembro, durante a conferência do clima em Copenhague, o mundo saiba o real apetite de suas lideranças políticas para corrigir esse erro.

// <![CDATA[Fonte: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0943/economia/luta-cara-inevitavel-469938.html]]>

O Planeta Aquecido

A mudança climática já começou e ameaça nosso futuro, mas isso ainda não foi suficiente para mobilizar o mundo

INFOGRÁFICO GABRIEL SILVEIRA

O cenário é catastrófico: segundo um estudo recente do Electric Power Research Institute, ainda que todas as potências industriais desligassem suas usinas elé­tricas e carros hoje, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera alcançaria, até 2070, a marca de 450 partes por milhão (ppm) – o suficiente para elevar a tem­peratura média da Terra em até dois graus Celsius. (Nos 650 mil anos antes da era pré-industrial, a concentração de CQ2 nunca passou de 300 ppm.) A ameaça deveria estar no topo da lista de prioridades de governos e empresas no mundo todo, certo? Infelizmente, não é o que acontece. No último FórumEconômico Mundial, que ocor­reu em Davos, na Suíça, pesquisadores alertaram que os governos estão negligen­ciando os riscos da mudança climática. Um relatório divulgado durante o encontro aponta que a preocupação crescente com os mercados financeiros e a escalada das tensões geopolíticas em 2008 podem ofuscar o problema do clima. Também nas empresas, o tema ainda não ganhou a devida atenção. Segundo um estudo recente da Accenture, nove em cada dez companhias globais não consideram o tema uma prioridade. Apenas 5% dizem que o aquecimento global tem importância absoluta.
 
Fonte: Época Negócio – Ano 02 – nº 13 – Março/08 – pag’s: 32 e33

Eu

 

Pensar a questão das emissões de carbono de uma forma global contando com a engenhosidade de todos na busca soluções é a única forma de construirmos uma sociedade onde o saldo das emissões de carbono de cada um é negativo.

Procurando no google por meu nome achei o folder de um forum que participei no seguinte endereço http://www.oabmg.org.br/sites/aquecimento_global/

Tenho dito.

Felipe Correia de Souza Pereira Gomes