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Bactérias despontam na produção de biocombustíveis

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Duas pesquisas independentes, que acabam de ser divulgadas nos Estados Unidos, mostram que as bactérias geneticamente modificadas logo poderão ser mais importantes do que as plantas usadas para a produção de biocombustíveis.

Biocombustível perfeito

Pesquisadores da Universidade da Califórnia modificaram geneticamente uma cianobactéria para fazê-la consumir dióxido de carbono e produzir o combustível líquido isobutanol, que tem grande potencial como alternativa à gasolina.

Para completar esse quadro, que até parece bom demais para ser verdade, a reação química para produção do combustível é alimentada diretamente por energia solar, através da fotossíntese.

O processo tem duas vantagens para a meta global de longo prazo de se alcançar uma economia sustentável, que utilize energia mais limpa e menos danosa ao meio ambiente.

Em primeiro lugar, ele recicla o dióxido de carbono, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima dos combustíveis fósseis.

Em segundo lugar, ele usa energia solar para converter o dióxido de carbono em um combustível líquido que pode ser usado na infraestrutura de energia já existente, inclusive na maioria dos automóveis.

Desconstrução da biomassa

As atuais alternativas à gasolina, o que inclui os biocombustíveis derivados de plantas ou de algas, exigem várias etapas intermediárias antes de gerar os combustíveis utilizáveis.

“Esta nova abordagem evita a necessidade de desconstrução da biomassa, quer no caso da biomassa celulósica, quer na biomassa de algas, algo que representa uma grande barreira econômica para a produção de biocombustíveis hoje”, disse o líder da equipa James C. Liao. “Portanto, [nossa biotecnologia] é potencialmente muito mais eficiente e menos dispendiosa do que as abordagens atuais.”

Transformando CO2 em combustível

Usando a cianobactéria Synechoccus elongatus, os pesquisadores primeiro aumentaram geneticamente a quantidade da enzima RuBisCo, uma fixadora de dióxido de carbono. A seguir, eles juntaram genes de outros microrganismos para gerar uma cepa de bactérias que usa dióxido de carbono e luz solar para produzir o gás isobutiraldeído.

O baixo ponto de ebulição e a alta pressão de vapor do gás permitem que ele seja facilmente recolhido do sistema.

As bactérias geneticamente modificadas podem produzir isobutanol diretamente, mas os pesquisadores afirmam que atualmente é mais fácil usar um processo de catálise já existente e relativamente barato para converter o gás isobutiraldeído para isobutanol, assim como para vários outros produtos úteis à base de petróleo.

Segundo os pesquisadores, uma futura usina produtora de biocombustível baseada em suas bactérias geneticamente modificadas poderia ser instalada próxima a usinas que emitem dióxido de carbono – as termelétricas, por exemplo. Isto permitiria que o gás de efeito estufa fosse capturado e reciclado diretamente em combustível líquido. Para que isso se torne uma realidade prática, os pesquisadores precisam aumentar a produtividade das bactérias e diminuir o custo do biorreator.

Bactérias autodestrutivas A equipe da Universidade do Estado do Arizona também usou a genética e as cianobactérias fotossintéticas, mas em uma abordagem diferente.

O grupo do professor Roy Curtiss usou os genes de um bacteriófago – um microrganismo que ataca bactérias – para programar as cianobactérias para se autodestruírem, permitindo a recuperação das gorduras ricas em energia – e dos seus subprodutos, os biocombustíveis.

Segundo Curtiss, as cianobactérias são fáceis de manipular geneticamente e têm um rendimento potencialmente maior do que qualquer planta atualmente utilizada como fonte para os biocombustíveis capazes de substituir a gasolina ou o diesel.

Mas, para realizar esse potencial, é necessário colher as gorduras dos micróbios, o que atualmente exige uma série de reações químicas muito caras.

Otimização

Para fazer as cianobactérias liberarem mais facilmente sua preciosa carga de gorduras, Curtiss e seu colega Xinyao Liu, inseriram nelas os genes dos bacteriófagos, que são controlados pela simples adição de quantidades-traço de níquel no seu meio de cultura.

Os genes dos invasores dissolvem as membranas protetoras das cianobactérias, fazendo-as explodir como um balão, liberando as gorduras.

A solução também não é definitiva, mas os pesquisadores já contam com um financiamento de US$5,2 milhões nos próximos dois anos para otimizar a reação e aumentar seu rendimento.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=bacterias-producao-de-biocombustiveis&id=010115100125&ebol=sim

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Em busca do Google verde

Por que investidores como o indiano Vinod Khosla consideram o mercado de energias renováveis o mais promissor do século 21 – e como eles pretendem ganhar bilhões com isso

 

O indiano Vinod Khosla: Meio bilhão de dólares do próprio bolso para empresas verdes

Por Tiago Lethbridge, de Nova York | 21.01.2010 | 10h58

O indiano Vinod Khosla não acumulou um patrimônio superior a 1 bilhão de dólares fazendo apostas erradas. Nascido em Nova Délhi há 54 anos, Khosla se tornou um dos mais celebrados investidores do Vale do Silício, um especialista em descobrir, dentre milhares de empresas em gestação, aquelas que serão as gigantes da década seguinte. Ele foi escolhido pela revista Fortune o mais bem-sucedido investidor de risco da história. Nos últimos anos, Khosla partiu para aquela que é a sua mais ousada empreitada – decidiu apostar, e apostar pesado, em empresas verdes. Estima-se que Khosla tenha tirado mais de meio bilhão de dólares do próprio bolso para financiar empreendedores e suas ideias aparentemente malucas para diminuir o consumo de energia ou encontrar substitutos limpos para o petróleo. A lista é enorme: são dezenas de empresas. Não se deve, no entanto, confundir o investidor indiano com um bilionário ambientalista excêntrico que joga dinheiro fora. Pelo contrário. A ideia de Khosla é multiplicar a própria fortuna no processo. Como ele costuma dizer, a solução de problemas gigantescos requer “uma pitada de ganância”. E, para Khosla, o setor de energias renováveis é o lugar certo para quem quer ganhar dinheiro no século 21. “Essas empresas valerão centenas de bilhões de dólares num futuro muito próximo”, disse Khosla a EXAME.

Nos últimos dois anos, dezenas de investidores e centenas de empreendedores se juntaram a Khosla na busca pelo Google da energia verde – a empresa que transformará o mundo da energia como o Google mudou a internet e a Microsoft, a computação pessoal. Em 2009, a energia limpa foi o setor que mais atraiu dinheiro dos fundos de venture capital americanos, aqueles que financiam empresas em seus estágios iniciais de desenvolvimento. Por trás desse fenômeno estão os mesmos investidores que catapultaram as maiores empresas de tecnologia do mundo. Entre eles, por exemplo, está John Doerr, do fundo Kleiner Perkins, conhecido por ter feito apostas certeiras em empresas como Google e Amazon. Nos últimos dois anos, fundos como os de Khosla e Doerr investiram mais de 14 bilhões de dólares em empresas de energia limpa – e, após uma queda acentuada no primeiro trimestre de 2009, os números voltaram a crescer a partir da segunda metade do ano. Foram mais de 1 000 negócios no total. Até mesmo Warren Buffett, o segundo homem mais rico do mundo, decidiu separar 230 milhões de dólares para fazer sua aposta na chinesa BYD, fabricante de carros elétricos. “As oportunidades são enormes”, afirma Dallas Kachan, diretor da empresa de pesquisas Cleantech Group. “Há cinco anos, a energia limpa atraía apenas 3% dos investimentos de fundos de venture capital. Hoje, são 25%.”

Nenhum desses investidores, no entanto, tem a agressividade de Vinod Khosla. Seu envolvimento com o setor começou no início da década, quando ainda era sócio de Doerr no Kleiner Perkins. Surgiu, então, um problema. Khosla queria investir em empresas com tecnologias incipientes, mas revolucionárias. E era impossível fazer isso num fundo tradicional, que usa dinheiro dos outros. Em 2004, ele deixou o Kleiner e fundou a Khosla Ventures. Com o próprio dinheiro, claro, ele poderia fazer o que bem entendesse. Khosla começou, então, a investir em algumas ideias consideradas – por ele mesmo – “loucas, mas que podem transformar mercados inteiros se derem certo”. Entre elas, por exemplo, está uma tecnologia para a fabricação de cimento que, em vez de emitir, sequestra carbono. Segundo Khosla, a Calera, fundada por um cientista de Stanford, tem 10% de chance de dar um retorno de 100 vezes para o investimento, e 90% de chance de quebrar. “Aceitamos esse risco”, diz Khosla. Hoje, seu fundo tem investimentos relevantes em 35 empresas do setor. Em setembro do ano passado, quando a energia limpa já estava na moda, levantou mais de 1 bilhão de dólares com investidores para criar dois fundos dedicados a comprar participações em empresas de energia limpa. O maior deles procurará projetos mais maduros. Com o outro, estimado em 300 milhões de dólares, a meta é continuar financiando ideias que ninguém tem coragem de apoiar.

Por que esse setor vem atraindo tanto dinheiro? O que motiva Khosla e investidores como ele é a certeza de que só a tecnologia pode combater a escassez de recursos naturais num século em que a população mundial pode chegar a 9 bilhões de pessoas. “A demanda por energia e recursos naturais vai aumentar muito, particularmente nos países emergentes”, diz Joe Muscat, diretor da consultoria Ernst&Young. “E novas tecnologias serão necessárias para atender essa explosão na demanda.” Claro, o aumento da preocupação dos governos com o aquecimento global também está impulsionando novos investimentos privados. Nos Estados Unidos, governos estaduais estabeleceram metas para a produção de energias renováveis, e o governo de Barack Obama fez empréstimos vultosos a algumas das empresas mais conhecidas do setor. A montadora de carros elétricos Tesla, por exemplo, obteve um financiamento de quase meio bilhão de dólares para produzir um sedã na Califórnia. O mesmo aconteceu com fabricantes de baterias, por exemplo.

A busca pelo Google verde é global, e os Estados Unidos não saíram na frente. Na primeira onda, amplamente impulsionada por incentivos estatais, países como Alemanha e, mais recentemente, a China, se destacaram. Das cinco maiores fabricantes de turbinas de energia eólica, apenas uma é americana – a General Electric. O país também é uma força menor em setores como energia solar e produção de baterias. Mas a esperança dos investidores é que as grandes rupturas tecnológicas – que, como preza Khosla, podem transformar setores inteiros sem depender da muleta estatal – surjam nos Estados Unidos. Os centros de pesquisa de universidades americanas como o Massachusets Institute of Technology (MIT) ou Stanford são o maior nascedouro de empresas de energia limpa de alta tecnologia. A Amyris, considerada uma das mais promissoras fabricantes de biocombustíveis do mundo, nasceu no laboratório de microbiologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Um grupo de estudantes de Ph.D. desenvolveu uma bactéria que produzia uma droga para a malária. “Em 2006, percebemos que a mesma tecnologia poderia ser usada para produzir combustíveis”, diz Jack Newman, um dos fundadores da Amyris, que já recebeu mais de 150 milhões de dólares de investidores como Khosla e Doerr. Os micróbios da Amyris usam o açúcar para produzir um biocombustível que, segundo a empresa, é muito semelhante ao petróleo. A empresa já fez parcerias com as principais usinas de açúcar e álcool brasileiras, como São Martinho e Cosan. “Vamos começar a vender diesel em 2011”, diz Newman.

A substituição do petróleo por biocombustíveis mais baratos e menos poluentes é considerada a empreitada com mais chances de gerar retornos bilionários. Não chega a surpreender que as grandes empresas petrolíferas estejam entre os principais investidores nesse segmento. Fundada por pesquisadores de Harvard e Berkeley, a californiana LS9 produz um biodiesel 85% menos poluente que o diesel comum e recebeu investimentos da americana Chevron em 2009. A anglo- holandesa Shell tem acordos com cerca de 70 empresas de energia alternativa. Finalmente, a americana Exxon anunciou no ano passado um dos maiores investimentos da história da energia limpa. A empresa vai investir até 600 milhões de dólares na Synthetic Genomics, empresa do cientista americano Craig Venter, que desenvolve uma tecnologia de produção de combustíveis de algas. Venter, considerado um dos homens mais influentes do mundo pela revista Time, ganhou fama mundial em sua corrida para decodificar o genoma humano. E acha que o dono do Google verde será ele mesmo. Sua pesquisa é, realmente, fascinante. As algas desenvolvidas por seu time de cientistas produzem combustíveis consumindo dióxido de carbono e luz solar. Segundo Venter, a tecnologia será viável comercialmente dentro de cinco a dez anos. O objetivo da Synthetic Genomics é “substituir a indústria petroquímica”.

Por que esse setor vem atraindo tanto dinheiro? O que motiva Khosla e investidores como ele é a certeza de que só a tecnologia pode combater a escassez de recursos naturais num século em que a população mundial pode chegar a 9 bilhões de pessoas. “A demanda por energia e recursos naturais vai aumentar muito, particularmente nos países emergentes”, diz Joe Muscat, diretor da consultoria Ernst&Young. “E novas tecnologias serão necessárias para atender essa explosão na demanda.” Claro, o aumento da preocupação dos governos com o aquecimento global também está impulsionando novos investimentos privados. Nos Estados Unidos, governos estaduais estabeleceram metas para a produção de energias renováveis, e o governo de Barack Obama fez empréstimos vultosos a algumas das empresas mais conhecidas do setor. A montadora de carros elétricos Tesla, por exemplo, obteve um financiamento de quase meio bilhão de dólares para produzir um sedã na Califórnia. O mesmo aconteceu com fabricantes de baterias, por exemplo.

A busca pelo Google verde é global, e os Estados Unidos não saíram na frente. Na primeira onda, amplamente impulsionada por incentivos estatais, países como Alemanha e, mais recentemente, a China, se destacaram. Das cinco maiores fabricantes de turbinas de energia eólica, apenas uma é americana – a General Electric. O país também é uma força menor em setores como energia solar e produção de baterias. Mas a esperança dos investidores é que as grandes rupturas tecnológicas – que, como preza Khosla, podem transformar setores inteiros sem depender da muleta estatal – surjam nos Estados Unidos. Os centros de pesquisa de universidades americanas como o Massachusets Institute of Technology (MIT) ou Stanford são o maior nascedouro de empresas de energia limpa de alta tecnologia. A Amyris, considerada uma das mais promissoras fabricantes de biocombustíveis do mundo, nasceu no laboratório de microbiologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Um grupo de estudantes de Ph.D. desenvolveu uma bactéria que produzia uma droga para a malária. “Em 2006, percebemos que a mesma tecnologia poderia ser usada para produzir combustíveis”, diz Jack Newman, um dos fundadores da Amyris, que já recebeu mais de 150 milhões de dólares de investidores como Khosla e Doerr. Os micróbios da Amyris usam o açúcar para produzir um biocombustível que, segundo a empresa, é muito semelhante ao petróleo. A empresa já fez parcerias com as principais usinas de açúcar e álcool brasileiras, como São Martinho e Cosan. “Vamos começar a vender diesel em 2011”, diz Newman.

A substituição do petróleo por biocombustíveis mais baratos e menos poluentes é considerada a empreitada com mais chances de gerar retornos bilionários. Não chega a surpreender que as grandes empresas petrolíferas estejam entre os principais investidores nesse segmento. Fundada por pesquisadores de Harvard e Berkeley, a californiana LS9 produz um biodiesel 85% menos poluente que o diesel comum e recebeu investimentos da americana Chevron em 2009. A anglo- holandesa Shell tem acordos com cerca de 70 empresas de energia alternativa. Finalmente, a americana Exxon anunciou no ano passado um dos maiores investimentos da história da energia limpa. A empresa vai investir até 600 milhões de dólares na Synthetic Genomics, empresa do cientista americano Craig Venter, que desenvolve uma tecnologia de produção de combustíveis de algas. Venter, considerado um dos homens mais influentes do mundo pela revista Time, ganhou fama mundial em sua corrida para decodificar o genoma humano. E acha que o dono do Google verde será ele mesmo. Sua pesquisa é, realmente, fascinante. As algas desenvolvidas por seu time de cientistas produzem combustíveis consumindo dióxido de carbono e luz solar. Segundo Venter, a tecnologia será viável comercialmente dentro de cinco a dez anos. O objetivo da Synthetic Genomics é “substituir a indústria petroquímica”.

Do genoma à gasolina

O cientista Craig Venter quer substituir o petróleo por um combustível produzido por algas geneticamente modificadas

O americano Craig Venter, cientista- celebridade que liderou a decodificação do genoma humano no fim dos anos 90, tornou-se um dos mais destacados empresários da energia limpa. Ele pretende usar algas geneticamente modificadas para produzir um combustível que poderá entrar diretamente nas refinarias existentes hoje. Parece coisa de maluco, mas a petrolífera americana Exxon anunciou no ano passado um investimento de 600 milhões de dólares na empresa de Venter, a Synthetic Genomics. Venter falou a EXAME sobre sua nova meta – substituir a indústria petroquímica. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Como o seu trabalho anterior com o genoma o levou aos biocombustíveis? Há quatro anos, eu me perguntei onde estavam os maiores problemas do planeta, e como a biologia poderia ajudar a resolvê-los. Não demorei a chegar no meio ambiente. E, com as ferramentas de genômica que já conhecíamos, a melhor aplicação parecia ser o desenvolvimento de biocombustíveis para diminuir nossa dependência de petróleo.

Como é possível fazer um combustível equivalente ao petróleo usando algas? Tudo é baseado no trabalho que desenvolvemos ao aprender a escrever o código genético. O avanço com algas foi significativo. Estamos mudando o código genético das algas para que seu metabolismo produza combustíveis. E o que é melhor: elas usam carbono e luz solar para isso.

A Exxon vai investir 600 milhões de dólares nesse projeto. Quais são os próximos passos? Precisamos aumentar a eficiência das algas, sua produtividade, encontrar algas que resistam a baixas temperaturas e pouca luz. Será muito difícil. Ninguém fez nada parecido antes. É preciso, finalmente, encontrar um combustível economicamente viável. Mas produziremos um combustível que pode entrar numa refinaria existente hoje e ser transformado num produto idêntico à gasolina, ao diesel e ao combustível de aviação atuais.

Quanto tempo levará até que isso aconteça? Faltam entre cinco e dez anos. Para tornar esse combustível viável comercialmente, precisamos de escala. É necessário produzir bilhões de litros por ano.

Combustíveis feitos de algas são uma resposta melhor ao problema do que o etanol, por exemplo? O etanol de cana de açúcar é excelente, e o Brasil fez um trabalho fantástico. Mas o etanol não é um bom substituto do petróleo. Outros combustíveis feitos do açúcar poderão usar as mesmas refinarias existentes hoje, o que não acontece com o etanol. Essas são opções importantes também. A verdade é que vamos precisar de todas as soluções possíveis.

O senhor afirmou que pretende substituir a indústria petroquímica. E não estava brincando. Esse, aliás, tem de ser o objetivo da sociedade, não apenas o meu. Claro que isso vai levar 30 ou 40 anos, sendo bastante realista.

O que é mais desafiador, o genoma ou encontrar um substituto para o petróleo? Bem, eu achava o sequenciamento do genoma um enorme desafio à época. Mas é menor do que trabalhar para ver o mundo livre do petróleo. Todos nós crescemos dependentes de combustíveis fósseis. Será um desafio enorme encontrar uma solução economicamente viável, e na escala necessária. A ciência e a engenharia nunca enfrentaram um desafio dessas dimensões. Mas é um objetivo viável.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br//revista/exame/edicoes/0960/especiais/busca-google-verde-527747.html?page=1

Folha semi-artificial imita fotossíntese e produz hidrogênio limpo

Redação do Site Inovação Tecnológica – 14/01/2010

Fotossíntese artificial Fazer fotossíntese artificial é o grande sonho acalentado por todos os cientistas que lidam na área de energia.

Quando o homem conseguir replicar a “mágica” das plantas, que transformam a luz do Sol em energia, estará resolvido todo o dilema energético e ambiental da nossa civilização.

Apesar dos muitos avanços, o objetivo continua elusivo.

Folha semi-artificial

Contudo, em mais um passo que mostra que fazer fotossíntese artificial pode ser factível a longo prazo, cientistas chineses mudaram completamente a abordagem até agora utilizada para imitar a natureza e criaram uma folha artificial da maneira mais prosaica possível: usando uma folha de verdade como molde.

Dada a complexidade inerente a qualquer ser vivo, os cientistas vinham tentando compreender as moléculas envolvidas e reproduzir sinteticamente as reações químicas básicas que ocorrem no interior das folhas quando elas usam os fótons da luz solar para quebrar as moléculas de água e gerar íons de hidrogênio.

O Dr. Qixin Guo e seus colegas da Universidade Shanghai Jiao Tong adotaram um enfoque diferente. Eles substituíram alguns componentes da folha de uma anêmona (Anemone vitifolia), mas mantiveram estruturas-chave da planta, alcançando um rendimento na absorção de fótons e na geração de hidrogênio que não havia sido obtido até agora.

Em vez de criarem uma folha totalmente artificial, os cientistas optarem por criar uma folha semi-artificial, mantendo estruturas da planta otimizadas pela natureza e de difícil reprodução.

Aproveitando a natureza

Inicialmente, eles mergulharam a folha natural em uma solução de ácido hidroclorídrico, o que permitiu a substituição do magnésio dos anéis de porfirina – uma parte essencial da estrutura fotossintética das plantas – por hidrogênio.

A seguir, as folhas foram tratadas com tricloreto de titânio, que substituiu as moléculas de hidrogênio por titânio.

Depois de secas, as folhas foram aquecidas a 500 °C, criando uma estrutura cristalizada de dióxido de titânio, um material que é largamente utilizado em células solares para aumentar sua eficiência. Na folha artificial, o dióxido de titânio serve como um catalisador para quebrar as moléculas de água.

A etapa de aquecimento também queimou a maior parte do material orgânico que ainda restava da folha original.

Preservando elementos naturais

Mas nem tudo da folha original se perdeu.

Permaneceram, por exemplo, as células superficiais parecidas com lentes, que capturam a luz vinda de qualquer direção, e os microcanais que dirigem os fótons até a parte mais profunda da folha.

Foram preservados também os tilacoides, estruturas com apenas 10 nanômetros de espessura que aumentam a área superficial disponível para a fotossíntese. São os tilacoides os responsáveis pela grande eficiência das folhas na geração de hidrogênio.

Estava pronta a folha semi-artificial. Para testá-la, os pesquisadores mergulharam-na em uma solução de 20% de metanol, que funcionou como um catalisador.

Ao ser iluminada com luz na faixa do infravermelho próximo, a folha artificial absorveu duas vezes mais fótons e gerou três vezes mais hidrogênio do que os catalisadores à base de titânio disponíveis comercialmente (P25-Degussa).

Abordagem promissora

Apesar de serem números promissores em relação ao que havia sido alcançado até agora, a conversão é ainda muito ineficiente e está longe de competir com a produção industrial de hidrogênio, que hoje é feita a partir do gás natural.

Mas a abordagem mostrou-se incrivelmente promissora. Afinal, aproveitar uma parte da estrutura já desenvolvida pela natureza é muito mais simples do que tentar sintetizar toda a estrutura fotossintética natural.

Além disso, o enfoque poderá ser futuramente estudado em conjunto com as células solares fotovoltaicas tradicionais.

Bibliografia:

Artificial Inorganic Leafs for Efficient Photochemical Hydrogen Production Inspired by Natural Photosynthesis
Han Zhou, Xufan Li, Tongxiang Fan, Frank E. Osterloh, Jian Ding, Erwin M. Sabio, Di Zhang, Qixin Guo
Advanced Materials
Vol.: Published online before print
DOI: 10.1002/adma.200902039

Casa Branca pretende obter US$646bi com comércio de carbono

Por 26 de Fevereiro de 2009 | 13:15

WASHINGTON (Reuters) – O plano orçamentário do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai levantar receita estimada em 646 bilhões de dólares, de 2012 a 2019, graças ao comércio de carbono previsto em projetos de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa.

O programa gerará por volta de 150 bilhões de dólares, que serão investidos em tecnologia de energia limpa ao longo de 10 anos, além de criar uma taxa de crédito que “fará o trabalho valer”.

O governo Obama vai trabalhar com o Congresso para desenvolver um sistema que englobe a economia como um todo e estabeleça um limite para as emissões de grandes indústrias, além de exigir que elas comprem e vendam permissões para emitir os gases causadores do efeito estufa.

(Por Ayesha Rascoe)

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/agencias/reuters/reuters-negocios/detail/casa-branca-pretende-obter-us-646bi-comercio-carbono-288814.shtml

Inventário de emissões de gases do efeito estufa do Estado de Minas Gerais

Minas Gerais é um Estado pioneiro na inserção da variável ambiental na formulação de suas políticas públicas. O Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema), por meio da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), lançou o 1º Inventário Emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) de Minas Gerais.

Na execução do estudo foram considerados os principais gases causadores do efeito estufa, o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Foram calculadas as emissões das principais atividades econômicas do Estado: os setores de energia; processos industriais e uso de produtos; agricultura, florestas e outros usos do solo; e resíduos.

Tendo como base o ano de 2005, o estudo fornece informações para elaboração de cenários de curto e médio prazos relativos às emissões de GEEs que, juntamente com outros elementos de decisão, subsidiarão a proposição da Política Estadual de Mudanças Climáticas, em articulação com a Nacional e outras políticas públicas relacionadas. O prognóstico também servirá para estimular a adoção de práticas e tecnologias mitigadoras das emissões dos referidos gases.

A versão completa do primeiro inventário de gases de efeito estufa pode ser acessada através do link:

http://www.feam.br/index.php?option=com_content&task=view&id=526&Itemid=175

 

Fonte: www.feam.br