Archive for the ‘Sustentabilidade’ Category

Evento discutirá gargalos e estratégias para uso da bioenergia

”]Fábio de Castro – Agência Fapesp – 17/03/2010

Cientistas de dezenas de países têm unido forças para superar uma série de obstáculos relacionados à produção sustentável de energia de biomassa, a chamada bioenergia.

Uma das principais iniciativas internacionais com esse objetivo – o projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB) – trará ao Brasil, na próxima semana, alguns dos principais especialistas na área de bioenergia.

Bioenergia sustentável

Tendo em vista viabilizar, no futuro, a produção de bioenergia sustentável em larga escala – definindo estratégias para implementação de políticas públicas -, o projeto GSB é composto, em sua primeira fase, por uma série de cinco convenções internacionais. Cada uma tem o objetivo de fornecer uma plataforma para oportunidades, desafios e preocupações regionais e transnacionais relacionados à bioenergia.

A primeira reunião ocorreu em fevereiro na cidade de Delft, na Holanda. A segunda, com duração de três dias, terá início nesta quarta-feira (17/3) em Stellenbosch, na África do Sul.

A terceira etapa (The Latin American Convention of The Global Sustainable Bioenergy Project) será realizada entre os dias 23 e 25 de março na sede da FAPESP, em São Paulo.

As duas últimas reuniões estão programadas para junho, na Universidade Tecnológica da Malásia, na cidade de Skudai, e para setembro, nos Estados Unidos, na Universidade de Minneapolis.

Gargalos e estratégias para a bioenergia

De acordo com o organizador do evento latino-americano, Luís Augusto Barbosa Cortez, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a iniciativa pretende trazer respostas às incertezas relacionadas ao uso da bioenergia e, em última instância, pavimentar o caminho para a viabilização e implementação da produção global de bioenergia.

“O objetivo principal do projeto é promover o uso de bioenergia, discutir gargalos e definir estratégias nos cinco continentes. A reunião no Brasil será especialmente importante, pois o país é o melhor exemplo do uso de bioenergia em larga escala. E é também quem tem a maior promessa de expansão dessa matriz”, explica ele.

O eixo central dos debates na etapa brasileira do projeto GSB será a especificidade do uso de bioenergia no contexto latino-americano. O potencial para o uso de bioenergias no Brasil, segundo Cortez, é incomparavelmente maior do que nos outros países participantes do projeto.

“Nos Estados Unidos e na Europa, o potencial é maior caso a hidrólise enzimática seja um sucesso, pois esse conjunto de países tem sérias restrições em relação à área plantada e dependerá de culturas e do aproveitamento de resíduos agrícolas”, afirmou.

No caso dos países africanos, o potencial para expansão é grande, mas há limitações de outra ordem, particularmente relacionadas à falta de infraestrutura e de mão de obra especializada.

Substituição da energia fóssil por bioenergia

As convenções do GSB não são voltadas para discutir questões tecnológicas. O foco central são os obstáculos que limitam a expansão global da bioenergia. “Já será um grande passo identificar os gargalos e definir uma estratégia. A meta é conseguir que todos os países do mundo cheguem a substituir cerca de 25% da energia fóssil por bioenergia”, disse Cortez.

Um dos participantes de destaque na reunião latino-americana será Lee Lynd, do Dartmouth College (Estados Unidos), pioneiro na pesquisa em biocombustíveis que se dedica desde 1987 a estudos para o desenvolvimento de etanol celulósico. Lynd, presidente do comitê diretor do Projeto GSB, apresentará uma visão geral do projeto e fará a conferência de encerramento.

Outros destaques serão o físico José Goldemberg, que apresentará conferência sobre o impacto ambiental positivo dos biocombustíveis, Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que fará um pronunciamento no dia 24, e o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz.

O evento terá ainda a participação de cientistas estrangeiros como Tom Richard, da Universidade Estadual da Pennsylvania (Estados Unidos), Roldolfo Quintero, da Universidade Autônoma Metropolitana (México), John Sheehan, do Centro Nacional de Bioenergia (Estados Unidos), Emile van Zyl, da Universidade de Stellenbosch (África do Sul), e Patricia Osseweijer, da Universidade de Delft (Holanda).

Entre os brasileiros, participarão André Corrêa do Lago (Ministério das Relações Exteriores), Márcia Azanha (Universidade de São Paulo), André Nassar (Icone), Manoel Regis Lima Verde Leal (Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol) e os coordenadores do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) Gláucia Mendes de Souza, Marcos Buckeridge e Heitor Cantarella.

Bioenergia em larga escala

Além da primeira fase, correspondente às cinco convenções que buscam os gargalos científicos para a produção em escala de bioenergia, o projeto GSB é composto de mais dois estágios.

O segundo estágio terá foco em uma questão: “É fisicamente possível chegar a uma fração substancial de fontes energéticas derivadas de plantas, na demanda futura de eletricidade e mobilidade no mundo, garantindo que a sociedade global consiga suprir outras necessidades importantes, incluindo alimentação humana, preservação do hábitat e manutenção da qualidade ambiental?”.

“O objetivo dessa fase será testar a hipótese de que é fisicamente possível conciliar a produção de bioenergia de larga escala com demandas competitivas de terra para essa finalidade”, disse Cortez.

O terceiro estágio será voltado para a discussão dos caminhos para a implementação da produção de bioenergia em larga escala, incluindo questões sociais, econômicas, políticas e éticas.

O objetivo será o desenvolvimento de políticas e estratégias para uma transição responsável para uma sociedade sustentável baseada globalmente em fontes bioenergéticas. “A partir das análises colocadas em perspectiva sobre todos esses fatores, o projeto tem a intenção de desenvolver recomendações para rotas de ação e políticas públicas”, disse.

O evento é isento de taxa de inscrição e as palestras terão tradução simultânea. Mais informações podem ser obtidas pelo site http://www.fapesp.br/gsb ou pelos telefones (11) 3838-4216 / 3838-4006.

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Fotossíntese artificial gera hidrogênio para células a combustível

Redação do Site Inovação Tecnológica – 18/02/2010

”]Fontes de energia do futuro

 

Células de combustível alimentadas por hidrogênio e energia solar são as duas maiores esperanças para as fontes de energia do futuro, que sejam mais amigáveis ambientalmente e, sobretudo, sustentáveis.

A combinação das duas então, é considerada como particularmente limpa: produzir hidrogênio para alimentar as células a combustível quebrando moléculas de água com a luz solar seria de fato o melhor dos mundos.

Esta é a chamada fotossíntese artificial, que vem sendo alvo de pesquisas de vários grupos de cientistas ao redor do mundo, com diferentes abordagens.

Eletrodo fotocatalítico

Agora, uma equipe liderada por Thomas Nann e Christopher Pickett, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, criou um fotoeletrodo eficiente e robusto e que pode ser fabricado com materiais comuns, de baixo custo.

O novo sistema consiste de um eletrodo de ouro que é recoberto com camadas formadas por nanopartículas de fosfeto de índio (InP). A seguir, os pesquisadores adicionaram um composto de ferro-enxofre [Fe2S2(CO)6] sobre as camadas.

Quando submerso em água e iluminado com a luz do Sol, sob uma corrente elétrica relativamente fraca, este sistema fotoeletrocatalítico produz hidrogênio com uma eficiência de 60%.

“Esta eficiência relativamente elevada é um avanço”, diz Nann.

Fotossíntese artificial

Que o sistema funciona os pesquisadores já comprovaram. Mas como ele funciona? Entender os mecanismos da reação é essencial para aprimorá-lo e levá-lo até aplicações práticas.

Os pesquisadores teorizam o seguinte mecanismo para a reação: as partículas de luz são absorvidas pelo nanocristais de InP, excitando os elétrons em seu interior. Nesse estado excitado, os elétrons podem ser transferidos para o composto de ferro-enxofre.

Em uma reação catalítica, o composto de ferro-enxofre então transfere seus elétrons para os íons hidrogênio (H+) na água em volta, que são então liberados sob a forma de moléculas de hidrogênio (H2). O eletrodo de ouro fornece os elétrons necessários para repovoar os nanocristais de InP.

Hidrogênio industrial

Em contraste com os processos de fotossíntese artificial já divulgados até agora, o novo sistema funciona sem moléculas orgânicas. Estas moléculas precisam ser convertidas para um estado excitado para que possam reagir, o que faz com que se degradem ao longo do tempo.

Este problema limita o tempo de vida de sistemas de fotossíntese artificial com componentes orgânicos.

O novo sistema agora descoberto é puramente inorgânico e tem, portanto, uma vida útil muito maior.

“Nosso novo sistema de eletrodo fotocatalítico é robusto, eficiente, barato e livre de metais pesados tóxicos,” afirma Nann. “Ele pode ser uma alternativa altamente promissora para a produção de hidrogênio industrial.”

Embora sejam promissoras, o hidrogênio para as células a combustível atuais é fabricado a partir do gás natural, um “primo” do petróleo.

Bibliografia:

Water Splitting by Visible Light: A Nanophotocathode for Hydrogen Production
Thomas Nann, Saad K. Ibrahim, Pei-Meng Woi, Shu Xu, Jan Ziegler, Christopher J. Pickett
Angewandte Chemie International Edition
5 Feb 2010
Vol.: Early View
DOI: 10.1002/anie.200906262

British Airways construirá primeira fábrica de biocombustível para aeronaves no mundo

19/02/2010 –   Autor: Fernanda B. Muller   –   Fonte: CarbonoBrasil

A British Airways anunciou planos para a construção até 2014 em Londres da primeira fábrica para produção de biocombustível para aeronaves do mundo.

A matéria prima serão as 500 mil toneladas de lixo produzidos anualmente da cidade, que devem ser convertidas em 16 milhões de galões de biocombustível, o suficiente para abastecer toda a frota da British que atualmente pousa no aeroporto de Heathrow.

O combustível será produzido através da alimentação de resíduos urbanos, como restos de alimentos, em um gasificador de alta temperatura e posteriormente por um processo chamado Fischer Tropsch, que converte os gases em biocombustível.

Cerca de 1,2 mil postos de trabalho no setor de energias limpas devem ser gerados com a construção da usina.

A meta da empresa é reduzir as emissões líquidas de carbono em 50% até 2050, segundo o chefe executivo Willie Walsh.

PNUD premiará projetos socioambientais

Prêmio Equatorial, que está na quinta edição, vai destacar iniciativas comunitárias que usam a preservação ambiental para gerar renda

Nova York, 10/02/2010

da PrimaPagina

Uma premiação do PNUD que prestigia projetos comunitários que combinem geração de renda com preservação ambiental está com as inscrições abertas até 28 de fevereiro o Prêmio Equatorial 2010 2010 concederá US$ 5 mil a 20 finalistas e US$ 20 mil aos cinco vencedores — um de cada região em desenvolvimento (África, Ásia e Pacífico e América Latina e Caribe), um para uso da cultura tradicional de indígenas e um relacionado a adaptação às mudanças climáticas.

As inscrições não precisam ser feitas por responsáveis pelos projetos — qualquer pessoa pode indicar um programa que se encaixe no perfil exigido pelos organizadores. Esta é a quinta edição da iniciativa, promovida de dois em dois anos. Oito projetos brasileiros já chegaram às finais, e dois foram vendedores: a  Associação Vida Verde de Amazônia e Mamirauá.

São seis os critérios principais usados para selecionar os vencedores: impacto (redução efetiva da pobreza por meio da conservação da biodiversidade), parcerias (interligação entre o projeto comunitário e outros setores), sustentabilidade (é preciso comprovar que houve pelo menos três anos de ações bem-sucedidas), inovação e capacidade de ser adaptado a outros contextos, liderança e empoderamento (participação decisiva dos moradores no projeto, especialmente dos grupos marginalizados) e igualdade entre os sexos e inclusão social.

A ideia do Prêmio Equatorial é que pequenas iniciativas comunitárias de sucesso, se difundidas, podem resultar numa contribuição importante para o mundo cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015, incluindo áreas como renda, educação, saúde e meio ambiente). Por isso, todos os indicados ao prêmio aderem a uma rede mundial de melhores práticas em biodiversidade, para que suas experiências sejam disseminadas e compartilhadas.

Fonte: http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=3410&lay=mam

Verde e pragmática

exame/economia

Enquanto parte do governo continua às turras com o agronegócio – a última investida veio do ministro Paulo Vannuchi, dos Direitos Humanos -, a ONG americana TNC mostra que a parceria com os produtores é o melhor caminho para preservar a natureza

Mallmann: imagens de satélite para mapear a situação de terras no interior do país

Por ANGELA PIMENTA | 04.02.2010 | 09h41

Uma sina curiosa vem perseguindo o agronegócio brasileiro nos últimos anos. Quanto mais dá mostras de sua competência lá fora, mais ele apanha aqui dentro – das ONGs, de políticos, do próprio governo. A mais recente investida ocorreu com a divulgação da nova versão do Programa Nacional de Direitos Humanos, de autoria do ministro Paulo Vannuchi. No meio de um festival de barbaridades, ficamos sabendo que o plano dá respaldo às invasões de terras, dificultando a obtenção de mandados de reintegração de posse na Justiça. Esqueça a lei. Se prevalecer o que Vannuchi propôs, as invasões serão avaliadas por audiências públicas – e só se essas audiências aprovarem é que a Justiça entrará em ação para defender os proprietários. Felizmente, nem todos acham que os males do Brasil são a excelência na produção de comida. Até mesmo ONGs ambientalistas, famosas pela virulência de sua militância, compreenderam que o agronegócio pode ser parceiro não apenas na hora de gerar riquezas mas também – pasme – de proteger a natureza.

O melhor exemplo tem sido dado pela americana The Nature Conservancy (TNC), a maior organização civil do planeta voltada para o meio ambiente, hoje presente em 32 países. A TNC é responsável pelo mais bem-sucedido modelo de combate ao desmatamento do país, o de Lucas do Rio Verde, no interior de Mato Grosso – conseguido exatamente por meio de parceria com o agronegócio. A ideia é obter a preservação combinando imagens de satélite – que permitem mapear as terras e detectar a derrubada de árvores – com incentivos econômicos, como linhas de crédito e cursos de educação ambiental para fazendeiros que se mostram dispostos a regularizar suas atividades. Agora o programa de Lucas do Rio Verde começa a ganhar escala nacional. Inspirado nele, o governo federal lançou o programa Mais Ambiente com o objetivo de regularizar sobretudo propriedades rurais com problemas de desmatamento ilegal e que não estão registradas devidamente. O governo fixou prazo de três anos para a adesão dos proprietários ao programa. A medida vale para todo o país, mas tem por alvo especialmente as áreas mais críticas da Amazônia. Paralelamente, o governo de Mato Grosso adota a mesma abordagem para legalizar a situação fundiária no estado. O governador Blairo Maggi lançou em 2009 o programa Mato Grosso Legal para cadastrar 50 000 propriedades até o fim deste ano. No âmbito federal, ainda não se sabe quantos produtores serão atingidos.

Fonte inspiradora dessas iniciativas, a TNC é um exemplo de pragmatismo que contrasta com o estereótipo da militância irada e inconsequente de muitas ONGs. Em Lucas do Rio Verde, município que é um dos maiores produtores de soja do país, a TNC teceu em 2007 uma parceria entre a prefeitura e as empresas Sadia, Syngenta e Fiagril. Nos últimos três anos, o agrônomo Giovanni Mallmann, chefe da equipe da TNC na cidade, rodou 20 000 quilômetros visitando as 820 fazendas da região. “No começo, parte dos proprietários nos via com desconfiança”, diz Mallmann. “Agora eles sabem que esse é o único caminho capaz de garantir a preservação das terras e a existência de compradores para seus produtos.” Batizado de Lucas do Rio Verde Legal, o programa fez um diagnóstico com imagens de satélite e deu prazo de dez anos para os fazendeiros recuperarem as matas. Eles também ganham mudas e assistência técnica no replantio. Hoje, o cadastramento das terras de Lucas do Rio Verde está pronto e a base de dados gerada vai ser transferida para o governo de Mato Grosso desenvolver seu programa.

É VERDADE QUE A IDEIA de usar satélite para esquadrinhar as propriedades rurais já existia em repartições federais e estaduais desde os anos 90. Mas o plano oficial era um fiasco em estratégia e gestão. “As normas ditavam que o proprietário em situação irregular levasse sua documentação ao poder público”, diz a bióloga Ana Cristina Barros, representante da TNC no Brasil. “Mas, ao chegar lá, ele seria autuado em flagrante.” Como era de prever, a iniciativa governamental fracassou. Em Lucas, a TNC mudou a tática. Em vez de os produtores irem a uma repartição, a ONG e representantes da prefeitura visitam os fazendeiros para obter sua adesão. Uma das metas da TNC em 2010 é o cadastramento de terras em 12 municípios do Pará e de Mato Grosso, no chamado arco do desmatamento, para legalizar a cadeia produtiva da madeira, da pecuária e da soja. A verba disponível é de 16 milhões de reais do Fundo Amazônia, uma carteira administrada pelo BNDES com recursos doados pela Noruega. No projeto, que tem uma contrapartida de 3,2 milhões de reais da própria TNC, a organização trabalhará em parceria com as prefeituras locais. “Contamos com o conhecimento da TNC para iniciar a regularização fundiária na região”, diz o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. “Ela provou ter um método bem-sucedido para os produtores se adequarem às normas ambientais.” Falta convencer outros companheiros do governo de que o tiroteio sobre os proprietários não ajuda – mas pode atrapalhar muito.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0961/economia/verde-pragmatica-531131.html

Após CFC, desafio global é eliminar HCFC

Produção de clorofluorcarbonos, que caiu 99% em 12 anos, está proibida desde janeiro; meta agora é reduzir uso de gás alternativo

Brasília, 05/02/2010

DANIELLE BRANT

Em tempos em que o debate ambiental é pautado pelas mudanças climáticas, uma conquista importante passou praticamente despercebida: o fim , em 1º de janeiro, da produção de CFCs (sigla para clorofluorcarbonos) pelos 196 países que assinaram o Protocolo de Montreal, criado para controlar as emissões de substâncias que destroem a camada de ozônio da Terra.

A data é um marco de um processo que começou com a assinatura do acordo, em 1987. A produção desses gases caiu 99,7% entre o ano anterior ao protocolo, 1986, e 2008: de 1,07 milhão de toneladas para 2.746, de acordo com dados do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). A queda ocorreu nos dois grupos de países criados pelo protocolo: os que tinham consumo inferior a 300 gramas por habitante (geralmente nações em desenvolvimento) e os que tinham consumo superior a esse patamar.

No primeiro caso, a redução foi de 115.161,6 toneladas (no pico de 1995) para 2.583,6 toneladas — um recuo de 97,75%, auxiliado por um fundo multilateral que ajuda as nações mais pobres a fazerem a conversão de clorofluorcarbonos a um gás menos poluente. No grupo dos países que mais emitiam CFCs, a diminuição foi de 1,01 milhão de toneladas, em 1986, até as 162,4 toneladas de 2008, ou seja, uma redução de 99,98%.

O desafio, agora, é concentra-se em outro tipo de gás prejudicial à atmosfera, os HCFCs (hidroclorofluorcarbonos), também usados como fluido de refrigeração para geladeiras e aparelhos de ar condicionado. Estes surgiram como alternativa aos CFCs, já que têm uma capacidade 90% menor de destruir a camada de ozônio, por conterem hidrogênio em sua composição, o que muda as propriedades da substância, explica o oficial de projetos do PNUD, Ruy de Goes. “Porém, estes elementos continuam agredindo a atmosfera, ainda que em menor escala”, afirma. “E são supergases de efeito estufa, ou seja, têm potencial altíssimo para aumentar o aquecimento global”, acrescenta.

A meta do Protocolo é abolir os HCFCs até 2040 nos países signatários do acordo, gradativamente. Até 2013, cada país poderá liberar a quantidade que quiser de HCFCs, mas, a partir de então, precisa voltar ao patamar médio de 2009/2010. Em 2015 será aplicado um corte de 10% sobre esse patamar médio, e a previsão é que somente um valor residual persista em 2030, o que facilita a eliminação total da produção até 2040.

Os países em desenvolvimento que precisarem fazer a conversão de tecnologia poderão recorrer ao fundo multilateral do Protocolo de Montreal. Esse dinheiro é transferido aos governos, que repassam a uma agência implementadora (caso do PNUD), responsável por liberar a verba para projetos que auxiliem as indústrias nacionais a fazerem a transição.

Muitas fabricantes já utilizam, em seus produtos, gases que não agridem a camada de ozônio nem intensificam o aquecimento global — como isobutano ou ciclopentano, hidrocarbonetos usados na espuma que faz a proteção térmica dos refrigeradores ou ar condicionados. “O único problema é que estes gases são inflamáveis, de uma família próxima ao gás de cozinha”, afirma Ruy de Goes.

Plano Nacional de Eliminação dos CFCs

No Brasil, as alternativas aos clorofluorcabonos passaram a ser mais usadas a partir de 1999, quando foi proibido o uso dos CFCs como fluido refrigerador de geladeiras e ar condicionados. O gás continuou sendo importado até 2006 pelo setor de serviços, e até o ano passado pelo de saúde.

Para eliminar totalmente a substância, o governo federal lançou o Plano Nacional de Eliminação dos CFCs, com 16 projetos. Um deles já treinou técnicos em refrigeração, oficiais de alfândega e funcionários do IBAMA para evitarem liberação dos gases poluentes durante a manutenção de geladeiras ou equipamentos de ar condicionado mais antigos, que ainda usam os clorofluorcabonos.

Um projeto chamado Recolhedoras já distribuiu 2 mil máquinas coletoras de gases, contabiliza Tatiana Zanette, analista ambiental da Coordenação de Proteção da Camada de Ozônio do Ministério do Meio Ambiente.

Foram criadas no Brasil quatro centrais de regeneração (duas em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e uma no Recife), e uma quinta será inaugurada até o fim deste ano no Rio Grande do Sul. Além disso, a intenção é criar 120 unidades de reciclagem em municípios não atendidos pelas centrais. A seleção das empresas que poderão receber os equipamentos para reciclar os gases será feita pelo PNUD.

Os CFCs

Alçados a vilão na década de 1970, os CFCs foram descobertos cerca de 40 anos antes, quando eram considerados bons substitutos da amônia em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, por absorverem melhor o calor.

Porém, nos anos 70 algumas pesquisas começaram a revelar que o cloro do gás reagia quimicamente com o ozônio da atmosfera, fazendo com que o este rareasse e perdesse sua função de escudo protetor contra a incidência direta dos raios ultravioleta — que podem causar câncer de pele e problemas oculares, como a catarata.

Conheça o projeto

Saiba mais sobre o projeto Fortalecimento Institucional para a Eliminação das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio sob o Protocolo de Montreal, apoiado pelo PNUD.

Leia também

Brasil está entre 5 que mais reduziram CFC

Fonte: http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=3406&lay=mam

Empresas terão apoio contra gás poluente

Brasília, 08/02/2010
 

Pequenos e médios fabricantes serão incentivados a trocar HCFC por alternativa que não afete camada de ozônio nem agrave aquecimento

DANIELLE BRANT
da PrimaPagina

 

As pequenas e médias empresas brasileiras terão consultoria para eliminar de seu processo produtivo os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs). Usados por fabricantes de espumas, de solventes, aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e extintores de incêndio, esses gases destroem a camada de ozônio da Terra e agravam as mudanças climáticas. Desde o final da década de 80, período em que têm substituído os clorofluorcarbonos (CFCs), seu uso aumentou sete vezes no Brasil, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente.

O apoio será dado por meio de um programa do Ministério do Meio Ambiente e do PNUD. Como se trata de um amplo espectro de empresas, está sendo feita uma série de reuniões com entidades do setor, como a Associação Brasileira da Indústria Química e a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, para que elas transmitam a seus associados as linhas gerais dos projetos serão desenvolvidos.

Um destes encontros acontece nesta segunda-feira (8), em São Paulo, e explicará a empresas de sistema e distribuidores — que fabricam produtos de poliuretanos e fornecem para pequenas e médias empresas — como serão constituídos os chamados “projetos guarda-chuva”, como explica Ruy de Goes, oficial de projetos do PNUD no Brasil.

O nome “projetos guarda-chuva” remete a uma célula-mãe com várias células-filhas sobre sua proteção, e é mais ou menos assim que vai funcionar este esquema. Nele, as casas de sistema e distribuidores vão agrupar clientes, e será elaborado um único projeto de conversão para atender estas firmas menores.

“A reunião será para tentar engajar as casas de sistema e distribuidores no processo de incentivar clientes a responder, até o fim de março, aos questionários sobre quanto HFCFs utilizam na produção de equipamentos, entre outros dados”, afirma Goes. A ideia é fazer um levantamento de quantas empresas seriam atendidas e da quantidade de gás consumido.

As informações serão, então, remetidas ao grupo que coordena o Protocolo de Montreal, assinado em 1987 com a meta de controlar as emissões de substâncias que destroem a camada de ozônio. O resultado consolidado deve sair até o segundo semestre.

Para as grandes indústrias serão realizados projetos individuais. Cada programa, tanto para empresas de menor quanto para as de maior porte, deverá ter um consultor do PNUD para acompanhar a conversão. “Sempre que possível tentaremos colocar um consultor para cada empresa, para acompanhar caso a caso. E todo o processo, desde a inscrição até a conversão, é gratuito”, destaca Goes.

Os projetos serão financiados com o dinheiro proveniente de um fundo multilateral do Protocolo de Montreal, que reúne os recursos fornecidos pelos maiores emissores mundiais de gases que degradam a camada de ozônio. O dinheiro será destinado à compra de máquinas novas que não utilizem hidroclorofluorcarbonos na produção, em troca da destruição do equipamento antigo.

“A intenção é trocar os HCFCs por hidrocarbonetos, que não destroem a camada de ozônio nem aumentam o aquecimento global”, explica o oficial de projetos do PNUD. Mas isso, ressalta, vai exigir a adoção de medidas de segurança, por se tratar de um gás inflamável.

Ainda falta definir como será feito o repasse, a relação dólares-quilo de hidroclorofluorcarbonos eliminado, a data de corte das empresas (firmas fundadas a partir de que ano poderão participar), entre outras coisas, diz Ruy de Goes.

 Fonte: http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=3407&lay=mam

Saiba mais sobre o projeto Fortalecimento Institucional para a Eliminação das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio sob o Protocolo de Montreal, apoiado pelo PNUD.

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